Dois homens vestidos de preto e usando máscaras de gás correram para o banheiro em que Ikki e Alisuin estavam.
— Este banheiro masculino é o último lugar que resta. Vou dar uma olhada nos sanitários; espere aqui — disse um dos homens.
— A gente precisa mesmo conferir cada um deles? Isso parece chato — respondeu seu parceiro, parecendo irritado.
— E-Ei.
O irritado sacou uma carabina M4 e descarregou um pente inteiro nas portas dos banheiros antes que seu parceiro pudesse impedi-lo. Quando os tiros ensurdecedores cessaram, todas as portas estavam repletas de buracos. Ninguém dentro daqueles banheiros teria saído ileso, mas não havia poças de sangue no chão.
— Tudo bem, parece que essa área está limpa.
— Não comece a atirar! Nossas ordens eram para fazer os civis de reféns!
— Olha, só quero relaxar. Além disso, não tem sangue, o que significa que não tinha ninguém aqui mesmo. Então, não tem problema. Gah ha ha ha.
— Não me culpe se o Bishou mandar te matar por causa disso.
Os dois caras saíram do banheiro, um deles rindo. Tudo o que restou foi o cheiro de chumbo quente e a destruição que as balas causaram. Mas então, Ikki e Alisuin de repente apareceram na sombra projetada pelas luzes fluorescentes. A maneira como quebraram a superfície fez parecer que eles tinham mergulhado dentro dela.
— Ufa. Parece que eles foram embora — disse Alisuin, saindo completamente da sombra. Ele tinha uma adaga cinza escura na mão. — Como pode ver, meu Eremita das Trevas tem uma habilidade bastante útil.
— A habilidade de controlar sombras parece bem poderosa — respondeu Ikki.
— Infelizmente, isso não ajuda muito nas partidas, já que as arenas costumam ser bem iluminadas e não têm obstáculos que criem sombras.
Ikki também tinha percebido isso. Parecia um poder mais adequado para um assassino do que para um cavaleiro, que deveria lutar de forma justa à luz do dia.
— A escola não vai ficar nada contente se descobrir que você usou seu Dispositivo fora do campus.
— Pensando bem, acho que foi justificado. De qualquer forma, ninguém vai saber se você ficar calado, Ikki.
— Não se preocupe, eu não vou contar nada.
Alisuin estendeu a mão livre em direção a Ikki, que ainda estava quase todo escondido na sombra. Ele pegou a sua mão e ela o puxou para fora.
— Obrigado. Você salvou a gente — Ikki estava grato a Alisuin não só por tê-lo tirado dali, mas também por ajudá-lo a escapar da atenção do inimigo.
— Quem eram aqueles caras?
— Rebelião.
— O quê?! — Ikki ficou surpreso tanto com a resposta quanto com o fato de Alisuin ter respondido imediatamente.
A Rebelião era a organização criminosa mais famosa do mundo. Acreditavam que os Blazers eram o povo escolhido e que todos os outros humanos eram inferiores. Queriam destruir a sociedade atual, onde os Blazers deveriam proteger aqueles que não tinham poderes, e tornar-se os governantes de uma nova ordem mundial. Na busca pela sua ideia distorcida de paraíso, já tinham tirado inúmeras vidas inocentes.
— Eu não esperava encontrar o grupo terrorista internacional mais famoso logo aqui. Mas como você sabia que eles eram da Rebelião?
— Um incidente muito parecido com esse rolou na minha antiga cidade natal. Eles usavam exatamente o mesmo equipamento naquela época. Enfim, estou preocupada com a Shizuku e a Stella.
— Eu também, mas tem uma coisa que a gente precisa fazer antes de procurá-las.
Ikki pegou seu tablet escolar e digitou o número de contato de emergência que estava em todos os tablets por padrão. Um segundo depois, um rosto familiar apareceu na tela do tablet: a diretora da Academia Hagun, Kurono Shinguuji.
— Estou ciente da situação — ela disse logo, poupando Ikki do trabalho de explicar. Parece que a operação da Rebelião era tão séria que até quem estava fora do shopping já sabia.
— Ótimo. Isso vai nos poupar tempo. Por favor, permita que Ikki Kurogane, Stella Vermillion, Shizuku Kurogane e Nagi Alisuin usem seus poderes Blazer fora do campus.
— Permissão concedida. Vocês estão livres para usar seus poderes.
— E agora, toda aquela burocracia inútil está resolvida — disse Alisuin com um sorriso.
— Diretora, poderia nos dizer o que sabe sobre a situação? — Ikki perguntou.
— A Rebelião está por trás do ataque. Eles têm uns vinte ou trinta membros no shopping, todos armados. Estão pedindo um resgate pelos reféns e parece que também querem roubar tudo o que puderem do local. É um dos ataques típicos deles pra conseguir mais dinheiro para guerra.
— Já houve alguma vítima?
— Há algumas pessoas que se machucam no pânico inicial para fugir, mas ninguém está morto ou gravemente ferido. A julgar pelas imagens das câmeras de segurança que recebemos, a Rebelião fez cerca de cinquenta pessoas reféns. Estão mantendo todos eles na praça de alimentação.
— Ela está falando da praça de alimentação onde estávamos agora há pouco? — perguntou Alisuin, virando-se para Ikki.
— Sim. Aquela área grande e aberta.
— Está dentro do alcance do meu Passo das Sombras. Posso nos levar direto para lá.
— Parece bom. A gente deveria ir pra algum lugar onde não sejamos vistos e avaliar a situação. Tenho certeza de que Stella e Shizuku também estão presas lá.
Ikki sabia que nenhuma das duas ia abandonar os reféns. Era bem provável que elas tivessem escondido o fato de serem Blazers e agora estivessem misturadas naquele grupo.
— Tenho certeza de que você já sabe, mas a segurança dos reféns é nossa prioridade. Não faça nada imprudente — disse Kurono.
Ikki assentiu, depois desligou o tablet para que não tocasse em um momento inoportuno.
— Tudo bem. Vamos — disse ele, voltando-se para Alisuin.
— Deixe tudo comigo.
Ikki estendeu a mão para Alisuin, e ela a pegou. Um segundo depois, suas sombras se transformaram em poças negras, e os dois entraram na poça.
Ikki prendeu a respiração enquanto atravessava a passagem escura que Alisuin tinha criado para eles. Passo das Sombras era uma habilidade que conectava sombras entre si, e a única pessoa que conseguia navegar por elas era a portadora do Eremita das Trevas, Alisuin. Ela guiou Ikki pela mão, garantindo que ele não se perdesse no labirinto de sombras.
— Chegamos — disse Alisuin depois de um minuto, tirando os dois das sombras. Ela o levou até bem perto de um pilar no terceiro andar, que tinha uma vista perfeita da praça de alimentação lá embaixo.
Os dois olharam para a praça de alimentação e viram um grupo de reféns cercados por uns dez caras vestidos de preto, exatamente como Kurono tinha falado.
— Ikki, olha ali. — Alisuin apontou para onde Shizuku estava escondida entre a multidão. — Mas não vejo a Stella em lugar nenhum.
— Não, ela está lá. A garota com o chapéu de abas largas ao lado de Shizuku. Ela provavelmente pegou aquilo pra se disfarçar, já que é famosa.
— Pensando bem, ela apareceu nas manchetes dos jornais. De qualquer forma, isso parece bem arriscado.
— Sim. Os rebeldes estão muito perto dos reféns. Se nos precipitarmos, eles podem conseguir matar alguns antes de conseguirmos dominá-los. Sem mencionar que não sabemos para onde foram os outros.
— Isso é verdade. Não sabemos o que os outros podem estar fazendo. Por enquanto, acho que tudo o que podemos fazer é esperar.
Mesmo que os esquadrões da Rebelião se reunissem novamente, ainda haveria muito menos terroristas do que reféns. Se tentassem fugir do shopping com os reféns, essa diferença atrasaria bastante o processo. A melhor chance de Ikki e Alisuin atacarem seria durante a tentativa de fuga. Os dois perceberam isso, e por isso estavam de acordo em apenas observar por enquanto. Mas a situação deu uma reviravolta inesperada.
— Não machuque a minha mãeee!
— Kh…
Um menino de repente correu em direção a um dos membros da Rebelião.
Isso não é bom!
Infelizmente, nem Ikki nem Alisuin puderam fazer nada para impedi-lo, e ele jogou seu sorvete no soldado. No entanto, tudo o que conseguiu foi manchar as calças do homem de branco. Em vez de ferir o terrorista, o “ataque” apenas o enfureceu.
— Seu bastardooo!
O homem chutou impiedosamente o rosto do menino.
— Augh!
— Shinji!
Uma mulher na casa dos vinte e poucos anos saiu correndo do grupo de reféns e foi direto para o menino. Provavelmente era a mãe dele. A barriga dela estava inchada, mostrando que estava grávida, mas a velocidade com que ela corria fazia difícil acreditar que ela carregava outra vida dentro dela.
— Saia do caminho, sua vadia!
— Sinto muito! Sinto muito! Mas, por favor, perdoe-o! Ele é apenas uma criança!
— Ei! O que você pensa que está fazendo?! — gritou outro soldado, aproximando-se para ver o que era toda aquela confusão.
— Esse pirralho sujou minhas calças! Vou acabar com ele!
— Se você é adulto, aja como tal, seu idiota! Quantas vezes preciso dizer pra você não machucar os reféns?! Se você quer fazer besteira e ser massacrado pelo Bishou, não nos envolva nisso! Aquele cara vai matar a todos nós se você o irritar!
— Cala a boca! Temos um monte de reféns aqui! Quem se importa se matarmos um ou dois deles?! — O cara irritado empurrou o colega e apontou o rifle para o garoto.
— Nãooo!! Por favor, estou implorando!!
— Que pena! Esse pirralho manchou minhas calças! Porcos como ele nem deveriam poder tocar em membros de uma raça superior como a nossa! Ele merece a sentença de morte!
O homem puxou o gatilho sem pensar duas vezes. Quando a bala foi disparada, a mulher, mesmo grávida, tentou proteger o filho com o próprio corpo, mas não adiantou nada. Um tiro de um rifle tão potente atravessaria o corpo dela e mataria o filho também.
Mas a bala não atingiu o alvo. Stella apareceu entre os dois reféns e o soldado da Rebelião e a transformou em cinzas.
https://tsundoku.com.br
— É melhor eu ir. Eles vão descobrir minha identidade de qualquer maneira. Mas não se preocupe. Como membro da realeza, sou uma refém valiosa. Eles não vão me matar sem um bom motivo. Você só precisa se esconder e se preparar para agir se a oportunidade surgir, Shizuku — disse Stella a Shizuku antes de pular e derreter a bala do soldado. Sua aparição repentina pegou os soldados da Rebelião de surpresa.
— Você é uma Blazer?! — um deles exclamou.
— Morra!
Eles começaram a disparar descontroladamente contra ela, mas a tempestade de chumbo não representava nenhum tipo de ameaça a uma pessoa tão poderosa quanto Stella.
— Vestimenta de Imperatriz! — Ela se cobriu com uma roupa de chamas, que vaporizou as balas antes que pudessem atingi-la.
— Aaaaahhh! — No entanto, os reféns começaram a gritar assim que ouviram a rajada de tiros.
Como a M4 tinha um cano pequeno, não era muito precisa. Era bem possível que uma bala perdida acertasse um dos reféns.
— Acalmem-se! — gritou Stella com uma voz autoritária, alta o suficiente para ser ouvida mesmo com o barulho ensurdecedor dos tiros.
— Gh?!
Os soldados que entraram em ação rapidamente com o aparecimento repentino de um Blazer ficaram parados e pararam de atirar. Pareciam crianças esperando para serem repreendidas por terem se comportado mal.
— Não quero lutar com vocês aqui, então acalmem-se e escutem — disse Stella, dando um suspiro de alívio por dentro.
Pelo menos todos pararam de entrar em pânico.
Embora fosse apenas uma estudante de intercâmbio aqui, Stella era membro da família real do Reino Vermillion. Por isso, ela sabia bem quais eram os objetivos e as atividades da Rebelião. Também sabia como os esquadrões de combate deles eram organizados.
Com base nos seus ideais, seria de se esperar que a Rebelião fosse uma organização formada só por Blazers, mas a maioria dos membros eram os chamados Aspirantes — pessoas que não eram Blazers, mas acreditavam na nova ordem mundial que a Rebelião queria criar. Os Blazers da organização eram chamados de Apóstolos e eram bem menos numerosos. Basicamente, isso significava que um pequeno número de Blazers comandava um exército formado principalmente por indivíduos comuns.
Stella percebeu que os membros da Rebelião ali presentes eram todos Aspirantes. Em outras palavras, o Apóstolo que liderava esse grupo estava com o destacamento que tinha ido investigar o shopping.
Um esquadrão desse tamanho não deve ter mais do que um Apóstolo ligado a ele. Eu queria esperar até que ele aparecesse antes de agir, mas…
O fato de se revelar significava abrir mão da iniciativa para o Blazer adversário. Mas a situação exigia que ela agisse, então foi o que fez.
Ela olhou com raiva para os soldados da Rebelião e disse: — Deixem-me negociar com seu líder em nome desses reféns.
— Não se ache tão importante, garota! Quem você pensa que é?!
Parecia que os soldados ainda não a tinham reconhecido. Ela tirou o chapéu grande que tinha colocado assim que a confusão começou.
— Eu sou…
— Nossa, nossa, nossa. Não achei que teríamos a realeza entre nós.
Antes que Stella pudesse se apresentar, alguém a interrompeu. Ela se virou e viu um homem com uma tatuagem no rosto se aproximando, seguido pelos outros dez soldados da Rebelião.
O homem sorriu, sua tatuagem se contorceu em uma forma esquisita.
— Se não é a Segunda Princesa de Vermillion. Hee hee hee.
— Um casaco preto bordado em ouro… Esse é o uniforme de um Apóstolo. Suponho que seja o líder desses idiotas?
— Hee hee hee, você realmente investigou bem. É isso mesmo. Eu sou Bishou. É um prazer conhecê-la, Princesa. — Bishou fez uma reverência respeitosa para Stella, depois virou-se para olhar com raiva para o grupo de homens que estava guardando os reféns. — Ei! O que vocês, idiotas, estão fazendo?! É tão difícil assim fazer o que eu mando?!
— Eep!
— Eu disse para não causar confusão, não disse? Disse para não machucar os reféns, certo?!
— Nós tentamos parar o Yakin, mas ele não quis saber!
— Então você é o responsável, hein, Yakin?
— E-Eu posso explicar! Aquele pirralho ali sujou minhas calças, então…
— Hã?! Não perca a calma por algo tão… Na verdade, espere. — Bishou ficou em silêncio enquanto pensava. Depois de alguns segundos, ele de repente riu. — Hee hee hee.
— B-Bishou?
— Yakin, eu entendo você. Ter suas calças estragadas deve ter sido péssimo. — A atitude de Bishou mudou radicalmente, e ele deu um tapinha no ombro do seu subordinado. — Mas não se preocupe. É nosso trabalho, como pessoas escolhidas, cuidar de vocês, cidadãos honorários.
Bishou tirou uma pistola do bolso e apontou para o menino.
— O-O que você acha que está fazendo?! — Stella gritou.
— Ora, isso é óbvio, Princesa. O pirralho precisa encarar as consequências dos seus atos. Todo mundo tem que aprender, em algum momento, que não dá para fazer o que bem entender e não pagar por isso.
— Eu pensei que você não ia machucar os reféns!
— Só se eles não tivessem feito alarde. Mas esse pirralho com certeza fez. Claro, ele é só uma criança, mas isso não muda o fato de que o que fez foi um pecado. Manchou a honra de um dos nossos cidadãos honorários. Precisa ser punido por isso. E a punição para um crime tão grave é a morte. Só a punição pode levar à redenção; esse é o meu lema.
Bishou apertou o gatilho com firmeza.
— Ah! — Stella não hesitou. Ela podia dizer que ele estava falando sério sobre atirar. Assim, ela invocou Lævateinn e atacou Bishou. — Haaaaah!
Bishou zombou em resposta.
Ele estava me provocando?
Mesmo que fosse, não importava. Stella acabaria com ele antes que pudesse usar seu Dispositivo. No momento, a única coisa que ele tinha era uma pistola. Aquela pistola não tinha chance contra o poder do Lævateinn dela.
Ela desferiu um golpe com toda a sua força, com a intenção de cortar Bishou junto com sua pistola. Mas, para seu total espanto, Bishou levantou a mão esquerda livre e bloqueou sua espada apenas com os dedos indicador e médio.
— O quê?!
— Hee hee hee. Que pena. Você é rápida. Forte também. Posso ver por que é Classe A. Mas, infelizmente para você, o mundo é muito maior do que imagina.
Stella ficou sem palavras. Nenhuma pessoa normal conseguiria bloquear seu golpe com toda a força só com os dedos. Sua espada deveria ter cortado e dividido o braço dele em dois.
Mesmo que por acaso seus dedos tivessem uma força sobre-humana e ele conseguisse bloquear a espada dela com as próprias mãos, as chamas que saíam de Lævateinn deveriam ter queimado seu braço até o osso. No entanto, ele parecia não ser afetado nem pelo peso nem pelo calor da lâmina de Stella.
Como isso está acontecendo?
Antes que ela pudesse entender, Bishou enfiou o punho no estômago de Stella.
— Gah!
A força do golpe fez Stella cair de joelhos. O ataque de Bishou foi tão forte que acabou com a energia dela, mesmo com a defesa poderosa de sua Vestimenta de Imperatriz.
Como…? Ele não parecia ser um Blazer tão forte assim!
Contendo as lágrimas de dor, Stella olhou para cima e viu a resposta para sua pergunta nas mãos de Bishou.
— Esses anéis!
Ele estava usando anéis que brilhavam em um vermelho intenso em cada um dos dedos médios. À primeira vista, pareciam meros acessórios, mas Stella percebeu que eram o seu Dispositivo.
— Como você pode ver, meu Dispositivo vem em um par. Esses são meus Anéis do Julgamento, Crime e Punição. O anel na minha mão esquerda interpreta qualquer tentativa de me prejudicar como um crime e absorve sua força. Então, com o anel na minha mão direita, essa força é convertida em mana, que posso usar para punir meus inimigos. Hee hee hee. Quanto mais forte é meu inimigo, mais forte eu fico.
— Entendo. Então aquele soco tinha toda a minha força por trás.
Stella agora entendia por que ele a havia derrubado.
— Você não deve atacar antes de entender do que seu oponente é capaz, Princesa. Hee hee hee.
— Você é quem… me obrigou a fazer isso.
— Hee hee hee. Desculpe por isso. Eu não podia correr nenhum risco, já que estava enfrentando a Princesa Carmesim, sabe. Mas devo dizer que você é muito nobre, Princesa. Poderia ter ficado escondida, mas se revelou só para proteger esse pirralho. É o modelo perfeito de realeza; uma verdadeira governante e tudo mais. Por respeito à sua coragem, vou lhe dar a chance de poupar a vida desse pirralho.
— O que você quer?
— Ah, nada de mais. Todo mundo conhece esse jeito de se redimir. Se fez algo errado, é só pedir desculpas. Só peço que faça isso no lugar do pirralho. Mas tem que tirar a roupa e se ajoelhar aos meus pés pra mostrar que tá sendo honesta. Bwa ha ha ha ha!
https://tsundoku.com.br
— Rgh!
Ikki, que estava observando tudo do andar de cima, estava fervendo. Ele queria pular agora e cortar Bishou em pedaços.
Mas eu não posso!
Se ele se metesse na confusão, os reféns poderiam se machucar na briga que se seguiria. Isso precisava ser evitado a todo custo.
— Hee hee. Claro que não vou te forçar a fazer isso. Um simples plebeu como eu não se atreveria a dar ordens à realeza. Então, se não quiser pedir desculpas, basta dizer não. Mas se o fizer, o pirralho é que vai pagar.
Seu canalha! Ikki mordeu o lábio com tanta força que sangrou, mal conseguindo conter a raiva.
Bishou sabia que Stella não ia recusar, e foi por isso que deu essa opção pra ela de propósito. Ele só queria humilhá-la o máximo possível. E assim como Ikki esperava, ela, de fato, concordou.
— Tudo bem — disse Stella, com os dentes cerrados, desmaterializando Lævateinn. — Mas, em troca, prometa que não vai mexer nos reféns.
— Claro. Eu sou um homem de palavra. Não vou machucá-los, desde que a polícia pague o resgate que pedimos e nos dê uma saída segura.
— É melhor não fazer isso.
Stella levantou-se lentamente, com as pernas tremendo. Ela ainda não tinha se recuperado totalmente daquele soco. Mas suas mãos, que estavam fechadas em punhos, tremiam por um motivo totalmente diferente. Ikki sabia que ela estava se sentindo humilhada.
— Bwa ha ha! Não acredito que vamos ver um show de strip de uma Princesa!
— É isso aí! Muito bem, Bishou!
— Vamos! Fique pelada! Hahahahaha!
O rosto de Stella ficou vermelho só de pensar em mostrar a pele pra esses caras, mas mesmo assim ela começou a tirar a roupa devagar. Começou com o cardigã, mostrando os ombros finos. Depois, tirou a saia, revelando as pernas lindas. E, por fim, desabotoou a blusa de baixo pra cima, deixando a barriga à mostra. Quando terminou, estava só de roupa íntima com renda branca.
— Uau! Os peitos dela são enormes! Ela é mesmo só uma estudante do ensino médio?!
— Puta merda!
— Bishou, posso tirar algumas fotos?!
— Cala a boca, seus idiotas. O verdadeiro espetáculo começa agora. Hee hee hee.
— Khhh!
Stella ficou toda nervosa quando os caras começaram a ficar olhando pra ela. Foi aí que Ikki percebeu que lágrimas estavam escorrendo pelo rosto dela. Quando viu isso, ele finalmente perdeu a paciência. Ele não aguentava mais ficar parado sem fazer nada.
Stella!
— Se acalme.
Mas,Ikki não pulou e atacou Bishou. Na verdade, ele não podia.
― Guh.
Seu corpo não se movia. Parecia que algo o mantinha preso no lugar. Ele olhou para baixo e viu que Alisuin havia cravado seu Dispositivo, o Eremita das Trevas, em sua sombra. Ele havia sido atingido por sua Arte Nobre, Prisão das Sombras, que mantinha uma pessoa presa no lugar enquanto sua sombra estivesse perfurada pelo Eremita das Trevas.
— Você precisa manter a calma, Ikki. Com certeza sabe o que vai acontecer se atacar agora.
— Mas… se eu não for agora, a Stella vai…
— Tudo bem. Eu tenho um plano — explicou Alisuin, e Ikki ficou olhando pra ela, chocado. — Nesse momento Shizuku está preparando tudo, então me dá só mais alguns segundos.
— Ela está?
— Sim. Ela está secretamente usando sua mana para criar uma barreira de água ao redor dos reféns.
Ikki olhou para baixo, para o salão principal, e forçou os olhos, tentando ver o fluxo de mana.
— Não estou vendo nada.
— Claro que não. Shizuku é Classe B e não é tão forte quanto Stella, mas tem melhor controle de mana do que qualquer outra pessoa do nosso ano. Na verdade, o dela provavelmente supera alguns da Classe A.
— Ah! — Ikki mais uma vez olhou para Alisuin surpreso.
O controle de mana era uma estatística que media a capacidade de uma pessoa de manipular sua aura. Aqueles que tinham um controle extraordinário de mana podiam fazer com apenas duas ou três unidades de mana o que outros Blazers precisavam de dez ou mais para realizar. Além disso, eles podiam mascarar o uso de mana e dificultar que seus inimigos percebessem o que estavam fazendo.
Shizuku Kurogane era uma Blazer que se destacava no controle de mana acima de tudo.
— Se alguém do nível da Shizuku quiser esconder o que está fazendo, ninguém vai conseguir detectar sua mana.
— Então como você tem tanta certeza de que ela está fazendo uma barreira?
Alisuin mostrou sem dizer nada o tablet dela para Ikki. Ela tinha colocado no modo silencioso, mas não tinha desligado. A tela mostrava uma mensagem que havia recebido de Shizuku.
“Etou crindo um barera, vou dr um snal qnado termnr.”
Era curta e direta ao ponto, e também cheia de erros de digitação. Ela provavelmente a digitou o mais rápido que pôde, tentando esconder o que estava fazendo de todo mundo. Apesar dos erros de digitação, porém, a mensagem era clara.
Shizuku!
Ikki quase pulou de alegria. Um segundo depois, Shizuku deu o sinal para todo mundo.
— Lótus das Ondas Puras!
Uma barreira de água apareceu de repente entre os reféns e os soldados da Rebelião, permitindo que Ikki entrasse em ação.
https://tsundoku.com.br
— O quê?! — gritou Bishou quando a barreira de água terminou de se formar ao redor dos reféns. Só um Blazer poderia ter feito algo assim, o que significava que devia haver outro cavaleiro ali além de Stella. — Seus malditos, realmente querem morrer, não é?! Acabem com os reféns, pessoal!
Seguindo a ordem de Bishou, os Aspirantes começaram a atirar na barreira de água. Os reféns gritaram e se jogaram no chão, cobrindo a cabeça com as mãos. Mas nenhuma das balas conseguiu passar pela barreira de água em cascata que era a Arte Nobre de Shizuku, Lótus das Ondas Puras.
Era sabido que, se alguém caísse na água de um lugar alto, a água parecia dura como concreto. A causa desse fenômeno era a surpreendente resistência da água ao impacto. Assim, se algo tão rápido quanto uma bala atingisse um corpo sólido de água, a força reativa igual e oposta o pulverizaria. E isso era algo que a água normal podia fazer. Essa água, no entanto, era reforçada com a magia da Shizuku, tornando-a muito mais resistente. Não havia como um material macio como o chumbo perfurar sua barreira.
Além disso, Shizuku não foi a única que começou a se mover.
— Hah!
No momento em que a barreira foi levantada, Ikki ativou o Ittou Shura. Ele pulou do andar de cima e foi direto para Bishou.
— Tch! Você também tinha amigos lá em cima?!
Mas Bishou era um terrorista veterano que já tinha lutado em vários campos de batalha mortais. Ele logo percebeu o ataque surpresa de Ikki e se preparou para interceptá-lo, levantando a mão esquerda. Era a mão que ele tinha usado para bloquear Lævateinn alguns instantes antes — a mesma em que usava Crime, o anel que podia absorver qualquer ataque.
A natureza de sua habilidade permitia que ele neutralizasse até mesmo golpes devastadores como os que Stella podia desferir. Comparado com Stella, porém, a única vantagem de Ikki era a velocidade. Seus golpes eram bem mais fracos, o que significava que não conseguiriam superar os poderes de absorção do Crime. Bishou absorveria a força do golpe de Ikki e a devolveria usando seu anel Punição. No entanto, esse plano só funcionaria se Bishou conseguisse bloquear com sucesso o ataque dele com a mão esquerda.
— Hã?
Bishou ficou chocado quando seu braço esquerdo de repente voou. Um jato de sangue espirrou do coto, manchando o chão do shopping.
Bishou só conseguia neutralizar ataques que ele podia ver e aos quais conseguia reagir. Mas Ikki tinha brandido Intetsu tão rapidamente que não conseguiu acompanhá-lo com os olhos, muito menos se defender. Esse golpe em alta velocidade, que ultrapassava a visão cinética de qualquer humano, era uma das sete técnicas originais que Ikki Kurogane tinha desenvolvido.
— Sétimo Estilo de Espada: Trovoada!
https://tsundoku.com.br
“Eu cuido dos soldados. Enquanto isso, você domina aquele macaco vulgar, Ikki.”
Esse era o plano de batalha que Alisuin tinha passado para Ikki, e ele realmente conseguiu dominar Bishou. Ele usou o Trovoada para cortar o braço esquerdo de Bishou — e seu anel do Crime junto — e, com seu golpe reverso, também cortou o braço direito dele. Independentemente de quais outros poderes o Dispositivo de Bishou pudesse ter, ele ficava impotente se fosse separado do corpo.
— Gyaaah! Meus braçooos! Seu desgraçado!
— Ah, cala a boca.
— Eek! — A raiva de Bishou desapareceu no momento em que viu a expressão de Ikki.
— Eu me contive, sabe. Considerando o que fez com a Stella, merece ter suas pernas cortadas também. Você vai recuperá-las de qualquer maneira, assim que te colocarem em uma cápsula iPS.
— Urk.
Ikki lançou um olhar frio como gelo para Bishou e, em seguida, olhou para os reféns. Todos estavam bem, o que significava que o plano havia sido um sucesso.
— Bom trabalho — disse Alisuin, aproximando-se e dando um tapinha no ombro de Ikki.
— Você terminou do seu lado, Alice?
— Eles já haviam sido derrotados quando cheguei aqui. Aquela garota é realmente incrível.
Hmm?
Ikki olhou para Alisuin com uma expressão confusa, depois percebeu que todos os soldados da Rebelião estavam caídos no chão. Em pé, entre os corpos caídos, estava uma figura solitária.
— Stella…
Seu cabelo flamejante se espalhava atrás dela, e estava vestida com um vestido de chamas. Ela segurava Lævateinn nas mãos, a espada flamejante brilhava intensamente. Apesar dos danos físicos e emocionais que havia sofrido, no momento em que a luta começou, ela imediatamente entrou em ação e derrubou os soldados da Rebelião.
Ela cuidou deles tão rápido que Alisuin nem chegou a tempo de ajudar. Essa foi a melhor escolha, considerando a situação, mas o que foi realmente surpreendente foi que ela ainda tinha tanta força depois de levar o soco de Bishou, que foi alimentado pela própria mana dela. Ikki podia ver porque Alisuin estava tão impressionada.
— Vou contar pra as pessoas de fora como está a situação. Vá até ela — disse Alisuin baixinho pra Ikki.
— Obrigado.
Ela está definitivamente se esforçando!
— Stella!
Ikki correu até Stella e a abraçou enquanto ela se virava.
— Fwah?! O-O que você está fazendo?!
Stella ficou surpresa com o abraço repentino, mas Ikki não se importou, a segurou com força, escondendo sua pele exposta de qualquer curioso. Ele não podia deixar essa garota corajosa e valente passar por mais constrangimento.
— Desculpa… Se eu tivesse chegado mais cedo, você não teria passado por essa humilhação.
— Ikki!
Os sentimentos de Ikki chegaram até Stella, e ela se entregou ao seu abraço caloroso. No momento em que relaxou, seu corpo inteiro começou a tremer. Ele evitou de propósito olhar para o rosto dela, mas não afrouxou o abraço nem um pouco.
— Querido irmão — disse Shizuku, caminhando até os dois.
— Obrigado, Shizuku. Se você não tivesse erguido essa barreira, estaríamos indefesos. Alguém se machucou?
— Claro que não. Eu nunca cometeria um erro desses. — Shizuku fez uma careta, ofendida por Ikki ter feito essa pergunta. Ela então estendeu a mão para Stella. Nela estavam todas as roupas descartadas por ela. — Eu as juntei para você. Certamente não planeja ficar andando por aí de lingerie para sempre, né?
— O-Obrigada. Mas estou surpresa por você estar sendo gentil comigo.
— Que falta de educação. Quem acha que salvou a sua pele? Sinceramente, que imprudência é essa, sair correndo sem ter um plano em mente?
— Geh…
Stella desviou o olhar, incapaz de encontrar o olhar da Shizuku.
— Mas… eu respeito o que você fez — acrescentou Shizuku, com uma expressão mais suave.
— Hã?
— Eu não teria sido capaz de salvar aquela mãe ou seu filho. Agora sei que existem outras pessoas no mundo dispostas a arriscar suas vidas por completos estranhos.
— N-Não foi nada de especial, na verdade. Além disso, foi só graças à sua barreira que conseguimos resolver as coisas sem vítimas. Você também é incrível.
Shizuku e Stella desviaram o olhar, incapazes de manter contato visual. Elas tinham estado em conflito até agora, então provavelmente achavam estranho elogiar uma à outra. Mesmo assim, era inegável que agora se respeitavam um pouco mais.
Espero que isso faça com que eles se deem mel…
— Ah, isso me lembra uma coisa. Você sabe usar técnicas de cura, Shizuku?
— Claro que posso. Não me diga que você se machucou naquela luta anterior, querido irmão?
— Não, estou bem. Queria saber se você poderia curá-lo. — Ikki apontou para Bishou. Ele estava sangrando tanto que morreria por perda de sangue se fosse deixado de lado.
Os seres humanos eram compostos principalmente por água, então os únicos Blazers que podiam usar habilidades curativas eram aqueles que possuíam habilidades de água de alto nível. — Não precisa recolocar os braços dele — continuou Ikki, — apenas pare o sangramento. Não podemos deixar ele tentar nada engraçado.
— Entendi. Não queremos que você se torne um assassino, querido irmão.
— Ele deve estar incapacitado agora, mas tenha cuidado…
— Ninguém se mexa!
— O quê?!
https://tsundoku.com.br
Um grito agudo perfurou o ar. Ele veio do meio do grupo de reféns. Ikki e os outros se viraram e viram um jovem de camiseta vermelha apontando uma pistola para a cabeça de uma mulher mais velha.
— M-Me salvaaa!
— Fiquem onde estão, seus pirralhos! Mexam-se e eu explodo os miolos dessa bruxa!
— Merda! Será que um deles se disfarçou de refém?!
— Hya ha ha ha ha ha ha ha! Vocês, idiotas, não foram os únicos escondidos entre os reféns!
— Bishou…
O sorriso no rosto de Bishou deixava claro que ele achava que tinha vencido. A única coisa em sua mente agora era como iria torturar essas crianças por terem feito ele passar vergonha.
— Ei, você! Pirralha com o vestido de lolita gótica!
— “P-Pirralha”?!
— Sim, isso mesmo, você. Ouvi dizer que pode curar pessoas. Venha cá e trate dos meus braços! Hee hee hee. Se não o fizer, então teremos de…
A velha soltou um grito de terror quando Bishou parou e olhou para ela. A arma ainda estava encostada em sua cabeça.
Droga!
Ikki rangeu os dentes. Ittou Shura ainda estava ativa, mas a essa distância, era possível que o soldado da Rebelião puxasse o gatilho antes que ele pudesse detê-lo.
— Venha aqui, sua puta!
— Querido irmão…
— Não temos escolha. Faça o que ele diz…
— Não há necessidade disso.
A voz de um homem ressoou na cabeça de todos, interrompendo Ikki. Parecia que ele estava falando diretamente na mente de cada um. Um segundo depois, ouviu-se um leve zumbido e inúmeros feixes de luz azul passaram zunindo por Ikki.
— Aaaugh!
— Gyaaah!
Eles perfuraram Bishou e o soldado que estava mantendo a mulher como refém, tornando-os verdadeiramente impotentes.
— O quê?! O que acabou de acontecer?! — Stella gritou, surpresa.
Isso não é…
Ikki reconheceu tanto a voz quanto a habilidade que o dono da voz acabara de usar.
— Heh. Puxa vida. No fim das contas, você precisou da minha ajuda. Eu não queria me intrometer, porque não gosto de roubar a cena dos outros.
O ar à frente de Ikki começou a cintilar e, logo em seguida, partes do ar começaram a rachar e se desprender como escamas. Um único rapaz apareceu do espaço em ruínas. Ele segurava um dispositivo em forma de arco nas mãos e parecia ter a mesma idade deles.
— Como? Como eu não senti sua presença? — murmurou Alisuin. Ela havia sentido o ataque de Bishou com antecedência, mas ignorou completamente a existência desse rapaz. Mas esse era precisamente o poder dele, então era natural que não o tivesse notado.
Ikki, por outro lado, não ficou surpreso. Afinal, esse garoto era seu ex-colega de classe.
— Há quanto tempo, Kirihara.
Esse rapaz era Shizuya Kirihara. No ano anterior, ele foi o melhor aluno do primeiro ano da Academia Hagun, bem como um dos cavaleiros que foram escolhidos para representar a escola no Festival de Batalha das Sete Estrelas.
— Com certeza, Ikki Kurogane. — Kirihara sorriu levemente e acrescentou — Eu não sabia que você ainda estava matriculado aqui. — Ele lançou um olhar condescendente para Ikki.
— Mrr.
Stella e Shizuku se viraram para olhar com cara feia para Kirihara. No entanto, elas não podiam realmente insultá-lo, já que ele havia acabado de salvar suas vidas.
— Kiriharaaa! Eu fiquei com tantooo medooo!
Sete garotas saíram da multidão de reféns, empurraram Ikki e os outros para fora do caminho e correram até Kirihara. Eram todas namoradas dele, que tinham ido ao shopping junto com ele.
— Sinto muito que tenham passado por uma provação tão assustadora por causa da fraqueza dos meus calouros. Mas não se preocupem. Agora está tudo bem.
— Sabíamos que você nos salvaria, Kirihara!
— Aaahn. Você foi tão legal, Kiriharaaa. Cavaleiros são tãooo fortes.
— Não gosto desse cara — murmurou Stella enquanto observava o bando de garotas bajulando Kirihara.
— Acho que é a primeira vez que concordo com você — respondeu Shizuku.
Alguns segundos depois, a polícia, que havia sido alertada por Alisuin, invadiu a praça de alimentação. Eles começaram a proteger os reféns e a prender os soldados da Rebelião imediatamente. A situação foi resolvida em pouco tempo, e a paz voltou ao shopping.
— Ugh.
Nesse momento, Ikki cambaleou quando a fadiga causada pelo uso do Ittou Shura o atingiu.
— Querido irmão!
— Ikki, você está bem?!
— S-Sim, estou bem. Só preciso descansar um pouco e poderei andar novamente.
— Você deveria se sentar.
Alisuin levou Ikki a um banco próximo. Ao fazer isso, o policial encarregado se aproximou dos quatro.
— Com licença, vocês quatro são os alunos que resolveram este incidente, certo? Preciso colher seus depoimentos, então poderiam me acompanhar até a delegacia?
— Nossa, você veio em uma péssima hora. Gostaria de deixar Ikki descansar primeiro, se possível, então…
Alisuin se virou para Kirihara, que ainda estava cercado por suas sete namoradas.
— Já limpei suas bundas para vocês. Não sou obrigado a lidar com essas chatices da polícia também.
Kirihara estava claramente desinteressado em ajudar mais. Ele voltou-se para as meninas ao seu redor e começou a falar sobre onde deveriam ir para relaxar depois daquela experiência angustiante.
— Tudo bem, Alice. Devo conseguir me recuperar um pouco se descansar no carro da polícia.
— Ikki, você não precisa se forçar.
— Não se preocupe. Não estou ferido nem nada, então… — Ikki se levantou com dificuldade, com a exaustão estampada no rosto. Ele então se virou para Kirihara e se curvou para ele. — Obrigado por sua ajuda, Kirihara.
— Não precisa me agradecer. É dever dos fortes ajudar os fracos.
Stella e Shizuku franziram a testa novamente, mas sua maior prioridade era levar Ikki para um lugar onde pudesse descansar, não discutir com aquele playboy. Para isso, Stella emprestou seu ombro a Ikki e lentamente o guiou até o carro da polícia. No entanto, ao partirem, Kirihara decidiu dar uma última provocação.
— Tenho que dizer, Kurogane, estou surpreso que você ainda esteja tentando se tornar um cavaleiro com essa força patética que você tem.
Stella não aguentou mais.
— Você pode parar com isso?!
— Está tudo bem, Stella.
— Não, não está! Não vou ficar calada e deixar ele pisar em você! — Stella apontou para Kirihara e gritou — Você fala muito, mas Ikki é muito mais forte do que você! Como alguém que lutou contra ele, tenho certeza disso! Você nem seria capaz de tocá-lo em uma luta!
Stella só pôde dizer isso porque não sabia quais eram os poderes do Kirihara. Também não sabia da existência da parede incrivelmente grande que o separava do Ikki. Mas ele, é claro, sabia.
— Ahahahahahahahahahahaha!
Para ele, as afirmações de Stella eram ridículas.
— O-O que é tão engraçado?!
— Ah, só pelo fato de você achar que esse cavaleiro fracassado é mais forte do que eu! Ahahahaha! Oh Deus, estou morrendo de rir. Parece que Kurogane se fez parecer muito legal, então acho que vou te esclarecer a verdade: ele é um covarde que tinha muito medo para lutar comigo no passado.
— O quê?
Era inconcebível para Stella que Ikki pudesse fugir de um desafio. Ela se virou para ele e, para sua surpresa, não negou a acusação de Kirihara. Apenas olhou silenciosamente para ele, com uma expressão indecifrável.
Independentemente disso, o Ikki que Stella conhecia nunca recuaria de uma luta, então ela se virou para Kirihara e gritou: — Mentiroso! Isso não é possível!
— Heheheh. Por que está tão confiante de que ele é mais forte do que eu, Vermillion?
— Isso não é óbvio? Ele é o único cavaleiro que já me derrotou!
— Nesse caso, vamos fazer uma aposta, Vermillion?
— Que tipo de aposta?
Kirihara se virou de Stella para Ikki.
— Sobre se você está certa ou não. A verdade é que, em breve, teremos a oportunidade de determinar, sem sombra de dúvida, quem é mais forte. Kurogane, você desligou o seu tablet escolar, certo? Ligue-o novamente.
Após um momento, Ikki ligou o tablet sem dizer nada. Um segundo depois, ele recebeu um novo e-mail em sua caixa de entrada. O remetente parecia ser o Comitê de Seleção do Festival de Batalha das Sete Estrelas. Dizia: “Ikki Kurogane, seu primeiro adversário na partida de seleção será Shizuya Kirihara, da turma 2-3.”
— Ah!
— Isso mesmo, seu primeiro adversário sou eu, um dos representantes do ano passado no Festival da Batalha das Sete Estrelas. Shizuya Kirihara, o Caçador. De qualquer forma, já que vamos duelar em breve, poderemos ver se Vermillion está certa ou não. Se, por algum milagre, conseguir me derrotar, retirarei tudo o que disse e pedirei desculpas por tê-la insultado. Mas se eu vencer, Vermillion terá que se tornar uma das minhas namoradas.
— Vamos lá, Kirihara, não seja rid…
Antes que Ikki pudesse dizer mais alguma coisa, Stella deu um passo à frente e declarou: — Por mim, tudo bem. Aceito a aposta.
— O que você está fazendo, Stella?! — Ikki não conseguia acreditar no que estava ouvindo. — Não caia nessa! Essa aposta não faz sentido! Eu nem quero que o Kirihara peça desculpas para mim!
— Você pode não querer, mas eu quero. Não vou tolerar que chamem de fraco o cavaleiro que me derrotou!
Não era da natureza de Stella recuar quando desafiada. E assim, ela aceitou a aposta de Kirihara, apesar das advertências de Ikki.
— Então está decidido. Heh. Vitórias fáceis normalmente me entediam, mas agora estou ansioso por isso. Te vejo no campo de duelo, Kurogane. Tenho certeza de que já sabe disso, mas não vai conseguir me enfrentar com essa sua aura insignificante. É melhor se preparar para uma derrota esmagadora. Essas partidas de seleção não são batalhas simuladas, sabe. São duelos de verdade. Tente não se matar. Ahahaha.
Kirihara afastou-se com seu grupo de garotas, totalmente confiante de que sairia vitorioso. Stella, Shizuku e Alisuin olharam para ele com cara feia enquanto se afastava.
— Hmm. Ele tem um rosto bonito, mas sua personalidade estraga tudo — murmurou Alisuin.
— Eu o odeio — disse Shizuku claramente.
— Hmph. Aposto que Ikki vai acabar com ele. Afinal, conseguiu me derrotar. Não é verdade, Ikki?
Stella voltou-se com expectativa para Ikki.
— Não tenho tanta certeza… Ele provavelmente é o pior adversário que eu poderia enfrentar.
— Ikki?
Ao contrário de Stella, Ikki sabia qual era a Arte Nobre do Kirihara, e era por isso que não podia afirmar com confiança que iria vencer. Ele sabia o quanto seria difícil superar as habilidades do Kirihara.
Pouco tempo depois, Stella, Shizuku e Alisuin também foram informadas sobre quem seriam seus primeiros adversários. As três teriam sua primeira partida na segunda-feira, enquanto a batalha de Ikki contra Kirihara aconteceria na terça-feira.
Essa seria a primeira batalha oficial de Ikki, e seria muito diferente das batalhas simuladas em que ele havia participado até então. Nessa luta, estaria literalmente colocando sua vida em risco.
Tradução: Ouroboros
Revisão: Matface
💖 Agradecimentos 💖
Agradecemos a todos que leram diretamente aqui no site da Tsun e em especial nossos apoiadores:
📃 Outras Informações 📃
Apoie a scan para que ela continue lançando conteúdo, comente, divulgue, acesse e leia as obras diretamente em nosso site.
Acessem nosso Discord, receberemos vocês de braços abertos.
Que tal conhecer um pouco mais da staff da Tsun? Clique aqui e tenha acesso às informações da equipe!
— Meow! O miado do gato preto ecoou na área aberta cercada por uma…
Christina saúda a manhã na vila da família Hope, em Midgar. Ela costumava alternar entre…
Que sonho peculiar…, pensou Bel, o calor agradável da água do banho permeando seu…
No momento seguinte, o sorriso de Sylvia tornou-se sombrio e triste. A inocência brilhante…
1 — Você precisa fazer uma viagem, garoto — declarou subitamente Logan, o instrutor de…
Mais de um mês se passou desde que Rose me fez entrar para a…