— Hã. Parece que Jack, o Estripador, não vem — disse um dos Lâminas Noturnas, impaciente, enquanto começava a jantar.
Já passava da meia-noite, o que significava que a data já havia mudado.
— Acho que ele ficou com medo de nós.
— E eu que tinha criado expectativas quando ouvi que ele derrotou aquele mestre de artes marciais de Wakoku. Que pena.
— Eu digo que isso é bom. É apenas a prova de que, quando nós, os Lâminas Noturnas, nos unimos, não há ninguém que possa nos enfrentar.
— Talvez tenhamos reunido forças demais. Foi simplesmente demais para Jack, o Estripador, suportar.
Um coro de risadas zombeteiras ergueu-se dos Lâminas Noturnas.
— Começaremos a espalhar os boatos quando o sol nascer — disse o Conde Branco. — Logo, todos saberão que Jack, o Estripador, fugiu de nós e que os Lâminas Noturnas estão mais fortes do que nunca. Isso garantirá que nunca mais duvidem de nós…
Antes que ele pudesse terminar sua frase, um brilho fraco apareceu na arena. A luz gradualmente se fortaleceu, quase como se estivesse reagindo a algo.
— O que está acontecendo?
— Talvez ele tenha vindo, afinal. A arena está respondendo a uma fonte estranha de mana.
A luz preencheu toda a arena enquanto o artefato terminava de erguer sua barreira em forma de cúpula.
Não se sabe quando, mas um palhaço manchado de sangue apareceu em seu centro.
— Então, esse é Jack, o Estripador?
— É um palhaço encharcado de sangue. Ele corresponde aos relatórios.
— Hmph. Ele não parece tão forte assim.
— As aparências enganam. No mínimo, porém, podemos dizer que ele é um idiota. Teria que ser, para cair em nossa armadilha desse jeito.
— Pode dizer isso de novo. Mas, ei, se ele está feliz em ajudar a afastar meu tédio, então que bom para ele.
Os Lâminas Noturnas se inclinaram em seus assentos para vê-lo melhor.
— Olá e bem-vindo, Jack, o Estripador. Que bom que pôde passar por aqui esta noite — disse o Conde Branco em tom teatral. — Mas você certamente demorou, não é? Demorou tanto assim para criar coragem?
Jack, o Estripador, não se moveu nem um pouco.
— Se você tem algo a dizer, a palavra é sua. Você deve ter algum assunto conosco, os Lâminas Noturnas. Vá em frente, conte-nos tudo sobre qualquer rancor que possa guardar. Nós matamos seus pais? Vendemos seus filhos como escravos? Roubamos sua fortuna? Perdoe-me por não me lembrar de você, mas já prejudicamos tantas pessoas que simplesmente não consigo acompanhar todas elas.
As risadas dos Lâminas Noturnas ecoaram pela arena.
— Com medo demais para falar, é? Bem, tudo bem também. Preparamos um jogo muito especial para você. As regras são simples. Se você derrotar todos os competidores que arranjamos, a barreira ao redor da arena será desativada. Então, você poderá muito bem nos matar a todos, como disse que faria.
A expressão do Conde Branco, ao olhar para Jack, o Estripador, era de extrema confiança.
— E só para você saber, a barreira está sendo gerada por um artefato poderoso, um que me custou mais dinheiro do que você poderia ganhar em cem vidas. Você pode tentar atravessá-la, mas estaria simplesmente perdendo seu tempo. Não, há um caminho disponível para você: derrote todos os que vierem!
O Conde abriu os braços e gritou.
— Agora, que comece o jogo! Mandem o primeiro assassino!
A porta da arena se abriu, revelando um cavaleiro das trevas. Era um homem de armadura pesada e empunhando uma espada enorme. Era um homem grande, do tipo que se impunha sobre as pessoas. Depois de dar alguns balanços casuais em sua grande espada, ele se virou e fez uma reverência aos Lâminas Noturnas nos assentos dos espectadores.
— Ele é um cavaleiro das trevas da cidade-estado de Spartan!! Dizem que o Coliseu de Spartan é o mais brutal do mundo, e ele acumulou duzentas lutas lá sem uma única derrota! Eles o chamam de Açougueiro de Carne Moída por causa de como ele usa sua poderosa lâmina para cortar cada um de seus inimigos ao meio!
O Açougueiro caminhou pesadamente e olhou para Jack, o Estripador. Com um sorriso de escárnio, o cavaleiro das trevas jogou sua grande espada sobre o ombro.
— Que diabos? Achei que teria uma luta sinistra, considerando toda a gente perigosa que eles alinharam na sala de espera, mas tudo o que recebo é um palhaço idiota?
— É hora da primeira luta!
Assim que o sinal de início foi dado, o Açougueiro balançou sua espada para baixo. A arena tremeu com o volume e a força do golpe.
— Q-que golpe poderoso!
— Aquele cavaleiro das trevas de Spartan é outra coisa. Se é que é possível, os rumores o subestimaram!
— Não parece que o ataque dele acertou, no entanto.
Com certeza, o golpe do Açougueiro não atingiu seu alvo.
No entanto, não foi porque Jack, o Estripador, se esquivou. Ele nem estava no arco inicial do balanço.
— Eu errei de propósito. Como a plateia vai se divertir se eu terminar a luta no primeiro golpe? Gladiadores das trevas que só se importam em vencer são de segunda categoria. Os melhores se certificam de dar um show para a multidão — disse o Açougueiro com arrogância enquanto erguia sua grande espada de volta ao ombro. — Venha, palhacinho. Eu já te saquei. Se você não conseguiu reagir àquele ataque, nunca vai me vencer, não importa o quanto tente. Mas não se preocupe. Fazer lutas contra lutadores de terceira categoria parecerem boas é pelo que nos pagam, gladiadores das trevas, para… duuuurrrgh?!
O Açougueiro é lançado para o alto. Sangue jorra de seu rosto enquanto seu corpo se espatifa contra o topo da barreira. Gotículas pingam, pingam e pintam o palhaço de vermelho.
O palhaço abaixa lentamente a perna com a qual acabou de chutar.
— …V-vencedor: Jack, o Estripador — gaguejou o Conde Branco.
Uma agitação percorreu os Lâminas Noturnas.
— O-o que acabou de acontecer?!
— Foi um chute. Um chute inacreditavelmente rápido!
— Você viu, Conde Battler?
— Mal, mas sim. Pode não parecer, mas foi minha força que me trouxe até aqui na vida. E essa luta foi algo…
— Ah, é verdade. Você é um cavaleiro das trevas bastante talentoso, não é?
— Ridículo. Você está me dizendo que Jack, o Estripador, terminou a luta com um único chute?
— Olhe, nós escolhemos alguém que achamos que ele poderia vencer de propósito para a primeira luta. Ainda estamos bem dentro das expectativas.
— Acho que talvez queiramos mudar nosso segundo combatente. Você não concorda, Conde Battler?
— Concordo…
Ninguém se manifestou em desacordo.
O Conde Branco bebeu um pouco de vinho e chamou o segundo lutador.
— Agora, sem mais delongas, apresento a vocês seu segundo desafio!
Não foi um cavaleiro das trevas que apareceu desta vez, mas três.
— São os capitães do lendário grupo de mercenários Lobo Branco, que fizeram seu nome na guerra civil de Velgalta!! Quando seu cliente, Perv Asshat, morreu em batalha em Oriana, o grupo passou por tempos difíceis. Não é todo dia que se consegue lutadores experientes como eles para concordar em participar de uma luta como esta, mas cada um deles poderia envergonhar o Açougueiro! Contemplem o trabalho em equipe que eles aprimoraram nos campos de batalha, e contemplem os nervos de aço que eles aprimoraram operando no vermelho!
Os três cavaleiros das trevas estavam na casa dos trinta aos quarenta anos. Eles empunhavam uma espada, um machado e uma lança, respectivamente. Todos pareciam calmos e compostos, e lançaram a Jack um olhar de aço.
— O que você acha? — perguntou o espadachim.
— Não sei. Não consigo ter uma leitura da força dele. Mas isso é estranho por si só — respondeu o mercenário com o machado.
— E eu que pensei que teríamos um pagamento fácil. Não nos culpe por virmos em três contra um, cara — disse o lanceiro, e os três prepararam suas armas.
— Agora, que comece a segunda luta!!
No momento em que o sinal de início foi dado, os três mercenários se espalharam para cercar Jack, o Estripador. A partir dali, eles tentaram cautelosamente avaliar seu alcance.
Enquanto isso, Jack não se moveu um centímetro.
Lenta mas seguramente, os capitães do Lobo Branco o circularam. Uma vez, depois duas, depois três…
Nada estava mudando, e não era uma luta particularmente interessante.
— Tudo o que eles estão fazendo é andar em círculos — disse um dos Lâminas Noturnas.
Um coro de concordâncias descontentes se seguiu.
Os Lobos Brancos certamente podiam ouvi-los, mas mesmo assim, mantiveram seus caminhos e continuaram a circular Jack, o Estripador.
Nada estava acontecendo.
Era o que parecia de fora, pelo menos, mas pequenas mudanças começaram a ocorrer nos Lobos Brancos. Suor começou a escorrer de suas testas em gotas estranhamente grandes, sua respiração gradualmente se tornou pesada, e seus olhos ficaram injetados de sangue por sua intensa concentração.
Uma estranha sensação de tensão tomou conta da arena, e eventualmente, as reclamações diminuíram. Tudo estava em silêncio mortal.
Então Jack, o Estripador, se moveu.
Ele deu um único passo à frente.
Era apenas um passo normal e casual. Não havia nada de perigoso ou ameaçador nele.
No entanto, os Lobos Brancos reagiram da maneira mais estranha. Em um piscar de olhos, eles saltaram para as extremidades da arena. Sua respiração estava ofegante e suas expressões, tensas. O tilintar de suas armas trêmulas falava muito sobre seus estados mentais. Estavam apavorados como nunca antes.
Tudo o que eles estavam encarando era um palhaço bizarro, mas, ao ver o olhar naqueles olhos de mercenários experientes, você pensaria que eles estavam contemplando o fim do mundo.
Um dos mercenários abaixou sua espada. O portador do machado e o lanceiro seguiram o exemplo.
— Estou fora. Não vale a pena… — disse o espadachim, sua voz tremendo.
— Você está… fora? Quer dizer que está abandonando a luta?! Isso é uma quebra de contrato!
— Nós somos mercenários — respondeu o lanceiro. — Estamos dispostos a morrer no campo de batalha se for preciso, mas que eu seja amaldiçoado se for cair em um porão mofado.
— Pare com essa besteira! Já se esqueceu de quanto é a multa por quebra de contrato?! Assim que a notícia se espalhar de que seus capitães fugiram de uma luta, a reputação dos Lobos Brancos irá para o lixo!
— Cem milhões, duzentos milhões – nós pagaremos. E você pode espalhar os boatos que quiser — disse o portador do machado com uma risada.
— O-o que é tão engraçado, seu miserável?!
— O fato de vocês acharem que vão viver para ver o amanhã.
Com isso, os três mercenários deram as costas e deixaram a arena.
Jack, o Estripador, não fez nenhum movimento para segui-los. Ele apenas soltou uma pequena risada por baixo de sua máscara.
— Grr… Esses porcos mercenários incivilizados! — rugiu o Conde Branco, com o rosto vermelho.
— Bem, eles certamente não corresponderam à expectativa.
— Precisamos garantir que esses mercenários idiotas recebam o que merecem. Vamos montar um grupo para caçá-los.
— Com capitães tão covardes, o Lobo Branco está acabado. Hmm? O que foi, Conde Battler?
O rosto do Conde Battler estava pálido.
— O que há de errado, Conde? Você está passando mal?
— Talvez precisemos mandar tudo o que temos.
— Do que você está falando, Conde Battler?
— …Não entendi nada daquela luta que acabamos de assistir — respondeu o Conde Battler.
— Isso é porque tudo o que eles fizeram foi andar em círculos. Não há nada para entender.
— A questão é que eu sei o quão fortes são o Lobo Branco e seus capitães. Sem dúvida, eles são o grupo mercenário mais forte do continente.
Os outros Lâminas Noturnas riram zombeteiramente.
— Muito patético, se esse é o melhor que nosso continente tem a oferecer.
— Eles fugiram sem sequer tentar lutar — continuou o Conde Battler. — Eles fugiram de seu inimigo, sabendo o dano que isso causaria à reputação dos Lobos Brancos. Devem ter tido um motivo.
— Que tipo de motivo?
— Acho que talvez Jack, o Estripador, seja um monstro maior do que qualquer um deles esperava.
— Não seja absurdo. Ora, acho que você está apenas tentando nos assustar por diversão.
— Mesmo assim, talvez devêssemos dar ouvidos ao aviso do Conde Battler e garantir que nosso próximo lutador esteja à altura da tarefa. O que achamos de enviar aquela mestra espadachim de Velgalta?
— Sim, gosto disso. Ei, vamos mudar a programação.
Quando eles contam ao mordomo sobre a troca, ele franze a testa.
— Sobre isso, senhores… Acredito que a espadachim de Velgalta acabou de sair.
— O quê? Ela saiu?!
— Sim. Ela disse: “Tenho um mau pressentimento sobre isso, boing” e partiu.
— E você simplesmente a deixou ir?!
— E-eu receio que sim. Ela devolveu seu pagamento integralmente e, bem, ela desapareceu como o vento, rápido demais para alguém seguir.
— Isso é um ultraje… Esses bastardos acham que podem nos pisar!
A voz do Conde Branco tremia de raiva.
— Oh, esqueça. Mande o demônio das cidades-estado e a lenda da Cidade Sem Lei!
— S-sim, senhor. Imediatamente, senhor!
O mordomo correu apressadamente.
— Juro, isso ferve meu sangue.
— Vamos lá, Conde, poderia ser pior. A coelha nem parecia tão forte em primeiro lugar.
— Ela era bonita, e não é sempre que se vê uma espadachim coelha. É provavelmente por isso que sua reputação ficou tão inflada. Cavaleiros das trevas cuja fama supera seus talentos são uma dúzia por centavo.
— Sim, teríamos nos envergonhado se tivéssemos mandado uma fracote como ela. O demônio da cidade-estado e a lenda da Cidade Sem Lei são tudo o que precisamos.
— Não acredito que estamos enviando nossos melhores lutadores quando ainda temos tantos na reserva. E dois deles de uma vez, nada menos.
— Bem, está tudo bem. Prolongar isso demais mataria a diversão por si só. Suponho que você esteja de acordo com isso, Conde Battler?
— Sim…
O conde assente, com o rosto ainda pálido.
Não demora muito para que o demônio da cidade-estado e a lenda da Cidade Sem Lei tomem seus lugares na arena.
Quando Jack, o Estripador, luta contra o demônio da cidade-estado e a lenda da Cidade Sem Lei ao mesmo tempo, ele os empurra para trás sem suar a camisa.
Alexia arfa enquanto observa o palhaço ensanguentado lutar.
— Então é disso que Jack, o Estripador, é capaz…
A batalha é completamente unilateral. Os adversários de Jack são ambos lutadores experientes, mas o palhaço está dançando em círculos ao redor deles. Quando o demônio da cidade-estado e a lenda da Cidade Sem Lei se viram para fugir, ele os rasga em pedaços. Tudo o que resta deles é o sangue manchando a arena.
— É como se ele nem estivesse usando sua força total.
Essa é a parte que choca Alexia mais do que qualquer outra coisa. Segundo todos os relatos, o demônio da cidade-estado e a lenda da Cidade Sem Lei eram cavaleiros das trevas formidáveis, e tinham as habilidades para sustentar suas reputações. A habilidade bruta necessária para massacrá-los daquele jeito estava além da compreensão. Há apenas uma pessoa na mente de Alexia que poderia ter realizado tal feito.
— Shadow…
O talento de Jack, o Estripador, pode muito bem estar no mesmo nível do de Shadow. É difícil de acreditar, mas é a única conclusão que ela consegue tirar.
O que mais chama sua atenção, no entanto, é a maneira como Jack, o Estripador, se porta – isso a lembra tão vividamente de Shadow.
— A maneira como ele se move… Não, não pode ser.
A maneira como ele luta e a qualidade de sua magia são completamente diferentes das de Shadow.
Nesse ponto, Alexia se lembra de como a Deusa da Guerra disse uma vez que todos os lutadores mais fortes se movem de maneiras fundamentalmente semelhantes.
— O que devemos fazer, Princesa Alexia? — pergunta Christina em um sussurro.
— Devemos esperar.
— Mas não é esta a nossa melhor oportunidade, agora que todos estão distraídos com Jack, o Estripador?
— Não, teremos mais facilidade para nos locomover depois.
— Depois?
— Sim. Depois que tudo acabar.
Com isso, Alexia continua a encarar Jack na arena. Ela está tão concentrada em captar cada movimento que ele faz que se esquece até de piscar.
O próximo grupo de oponentes chegou à arena, e desta vez, há um total de cem deles.
— Que piada. Eles estão queimando suas forças pouco a pouco. É exatamente como nos manuais de nações moribundas.
— Será que Jack, o Estripador, realmente conseguirá vencer tantos oponentes?
Cada um dos cavaleiros das trevas que se aproximam de Jack, o Estripador, é um lutador de elite. Os Lâminas Noturnas não pouparam despesas para reuni-los, e Alexia pode dizer que eles são mais talentosos do que os membros da Ordem dos Cavaleiros Reais.
— Tenho começado a perceber as coisas ultimamente. Coisas como o que a força realmente é. Coisas como o quão grande é a diferença entre mim e os fortes.
— E o que você acha de Jack, o Estripador, Princesa Alexia?
— Eu diria…
Ela mergulha em silêncio por um momento para encontrar as palavras certas.
— …ele está em uma liga própria. — Ela finalmente consegue dizer.
— Você realmente iria tão longe?
Kanade engole em seco audivelmente. Então…
— Avante, meu vassalo — murmura Kanade. — Avante, Jack, o Estripador. Mate-os. Mate esses idiotas dos Lâminas Noturnas.
Um momento depois, mais de cem cavaleiros das trevas descem sobre Jack.
— O que está acontecendo aqui? — arfa o Conde Branco.
O resto dos Lâminas Noturnas nos assentos dos espectadores ficaram em silêncio, incapazes de proferir uma palavra.
Perder o demônio da cidade-estado e a lenda da Cidade Sem Lei foi o que primeiro abateu seus ânimos.
O demônio da cidade-estado lascou a máscara de Jack, o Estripador.
A lenda da Cidade Sem Lei arrancou um pedaço da roupa de Jack, o Estripador.
No entanto, isso foi tudo o que eles conseguiram realizar. Jack, o Estripador, prontamente viu através de seus movimentos e os massacrou.
Uma pergunta surge dos espectadores.
— Nós tínhamos alguém mais forte do que eles?
Ninguém responde. O demônio da cidade-estado e a lenda da Cidade Sem Lei eram os combatentes mais poderosos da lista dos Lâminas Noturnas.
O terror se espalha em um instante. A confiança presunçosa desapareceu de seus rostos agora, e eles abandonam todas as pretensões e lançam todos os cavaleiros das trevas que têm contra seu inimigo.
A batalha ainda está em andamento, mas o resultado já está claro.
Assim que todos os cavaleiros das trevas estão mortos, Jack, o Estripador, fica no centro da arena manchada de sangue e fixa seu olhar nos assentos dos espectadores.
— Desculpe, mas estou saindo daqui! Toda essa bagunça é culpa sua, Conde Branco. Dê um jeito de limpar isso!
Assim que o primeiro Lâmina Noturna se levanta de seu assento, a barreira se rompe, e os outros o seguem.
O Conde Branco se agarra aos seus compatriotas em fuga.
— E-espere, espere! Eu ainda posso…
Foi quando uma voz profunda e digna ressoou.
— Onde vocês estão indo, cavalheiros? Não há necessidade de tanta pressa.
Há uma nova figura nos assentos dos espectadores agora, um homem majestoso no auge de sua vida.
— M-Marquês Despoht! Não o vi entrar!
— Vocês são inúteis, então pensei em interceder em seu nome.
Vários dos Lâminas Noturnas fazem uma careta com o tom condescendente de Despoht, mas nenhum deles diz uma palavra.
— Com as coisas como estão, há algo que possa ser feito?
— Hmph. Apenas para vocês, eu consegui um ajudante muito especial do Culto.
Com isso, Despoht gesticula em direção à arena. Há uma pessoa encapuzada parada ali. Na verdade, aquilo é mesmo uma pessoa?
— Um ajudante do Culto? O que é essa coisa?
A silhueta que o longo capuz projeta é torta. Qualquer que seja a criatura sob ele, certamente não parece humana.
— Heh-heh-heh. Através de seus experimentos humanos, o Culto conseguiu criar a forma de vida armada suprema. Vá em frente, mostre a eles sua forma gloriosa!
Ao comando de Despoht, a criatura remove seu capuz e revela sua hediondez.
— M-mas o quê…?
Por baixo, há uma massa horrível de carne costurada. É difícil até mesmo dizer de que gênero é. É um homem? Não, provavelmente uma mulher. Tem uma aura vagamente feminina, mas, no fim das contas, que significado o gênero tem para uma massa de carne como aquela? A criatura é um monstro, mal mantendo sua forma humana.
— Eles a chamam de Experimento nº 227, Millia.
— Ela? Então é uma mulher?
— Ela é uma das antigas cobaias da Seita Fenrir. Eles a abandonaram quando ela perdeu para o Jardim das Sombras, mas os pesquisadores da Seita Loki a recuperaram e a restauraram.
— Ela perdeu para o Jardim das Sombras?
Uma série de suspiros decepcionados surge dos Lâminas Noturnas.
— Não se preocupem. Quando os pesquisadores da Seita Loki pegaram a cobaia da Seita Fenrir, eles a aprimoraram, usando técnicas que nunca deveriam ser usadas juntas e a transformaram na bioarma suprema. Eles me garantiram que ela está mais de dez vezes mais forte do que antes.
Despoht caminha até a primeira fila, falando alto para levantar o moral.
— Agora vá, Experimento nº 227, Millia! Atenda ao meu comando e coloque Jack, o Estripador, no chão!!
A batalha começa.
A terrível cobaia, Millia, salta para a frente como uma fera selvagem. Ela circula por trás de Jack, movendo-se tão rápido que seu corpo é apenas um borrão. Então ela ataca com seu poderoso braço direito.
— Uau?!
Uma torrente de magia avança pela arena. A barreira deveria ser inquebrável, mas começa a ranger sob a tensão.
— T-tanta força!
As ondas de choque mágico arrancam pedaços profundos do chão da arena.
— Onde…? Para onde ele foi?
Depois de dar um golpe completo com o braço, Millia é a única que resta na arena. Jack, o Estripador, não está em lugar nenhum, e os Lâminas Noturnas percebem que ele foi obliterado sem deixar vestígios.
— Agora que acabou, parece que passou rápido demais — diz o Conde Branco, dos assentos dos espectadores, agora silenciosos.
Olhares de alívio se espalham pelos rostos dos outros Lâminas Noturnas enquanto começam a conversar sobre o que pensam.
— Acho que essa é a bioarma suprema do Culto para você. Tive medo de que ela fosse quebrar a barreira.
— Ha-ha-ha. A barreira é impenetrável. Embora eu admita, tive minhas dúvidas por um momento. O Culto não é algo a ser subestimado.
— Deveríamos considerar aprofundar ainda mais nossos laços com eles.
— De fato — diz Despoht. — Perdemos muito durante esses incidentes recentes, mas o vínculo que forjamos com a Seita Loki é uma grande bênção que conquistamos.
Ele é recebido por uma rodada de aplausos de sabe-se lá onde.
— Tudo o que faço, faço pelos Lâminas Noturnas.
Despoht olha ao redor. No entanto, ele não vê ninguém aplaudindo. Todos estão apenas se olhando enquanto os aplausos nítidos ecoam pela seção de espectadores.
Uma pessoa está tremendo, com o rosto branco como um lençol.
É o Conde Battler.
Ele aponta um dedo trêmulo para um dos assentos vazios.
Despoht lhe lança um olhar interrogativo.
— O que foi, Conde Battler?
— A-ali…
Não há ninguém lá.
Pelo menos, não deveria haver.
Sem que ninguém soubesse, no entanto, um palhaço ensanguentado havia ocupado o assento.
— Jack, o Estripador?! C-como você está aqui?!
Os Lâminas Noturnas se espalham como moscas enquanto fogem dele.
— O-o que aconteceu com a barreira?! O que está acontecendo?!
Enquanto a barreira se mantiver, não deveria haver como Jack alcançar as arquibancadas.
— Mas como…?
Jack, o Estripador, para de aplaudir e se levanta lentamente.
Em sua mão, ele segura o sete de espadas.
Ele o lança preguiçosamente.
É como se o mundo tivesse parado, como se Jack, o Estripador, fosse o único a se mover. Ninguém consegue impedir seu movimento lânguido.
Shunk.
Um pequeno som ecoa enquanto a carta de baralho se aloja profundamente na cabeça de um dos Lâminas Noturnas.
— A-agh…
O Lâmina Noturna desaba para a frente e se contorce no chão.
Ninguém move um músculo. As arquibancadas estão em silêncio mortal enquanto encaram a mancha de sangue que se espalha.
Suas vidas estão nas mãos deste palhaço. Todos podem sentir isso. Ele os matará caso se movam. Ele os matará se gritarem. Ele os matará se não fizerem nada.
A tensão domina o ar enquanto Jack, o Estripador, lentamente – tão lentamente – puxa uma carta após a outra.
O oito de espadas.
O nove de espadas.
O dez de espadas.
O valete de espadas.
A dama de espadas.
O rei de espadas.
São precisamente seis. É o mesmo número de cartas que o de Lâminas Noturnas, e Jack, o Estripador, as espalha em sua mão antes de puxar o oito de espadas.
Ele o prepara lentamente.
Os olhos do Lâmina Noturna selecionado se arregalam enquanto ele balança a cabeça.
— E-eek… Socorro…
Como se em resposta ao seu grito, a magia surge da arena.
É o Experimento nº 227, Millia. Ela fecha a distância em um piscar de olhos e então bate seu braço direito inchado em Jack, o Estripador.
Um estrondo violento ecoa. Wham, wham, wham, faz, de novo e de novo e de novo.
No entanto, Jack nem sequer se moveu. A única coisa que o Experimento nº 227, Millia, tem atingido é a parede de luz brilhante que separa os dois.
— A-a barreira… — gagueja alguém.
A barreira ainda está de pé e funcionando, e está obstruindo o caminho do Experimento nº 227, Millia.
Como, então, Jack, o Estripador, está fora dela?
Ninguém entende.
Enquanto os wham, wham, whams continuam a sacudir o ar, Jack lança o oito de paus.
Um homem morre.
Ele lança o nove.
Outro homem morre.
Ele lança o dez.
Mais uma morte.
O Experimento nº 227, Millia, continua a golpear a barreira. Wham, wham, wham.
— E-é por isso que eu disse que precisávamos esmagá-lo… com tudo o que tínhamos… O homem é um monstro…
Antes que o Conde Battler pudesse terminar seu discurso, o valete de espadas se enterra em seu coração. Ele agarra o peito com um olhar de desespero no rosto antes de cair.
— E-eu sei, a barreira… Se ao menos pudéssemos abaixar a barreira… Alguém, rápido, abaixe-a! — grita o Conde Branco.
No entanto, não há mais ninguém para atender ao seu chamado.
— Alguém! Qualquer um! Qualquer um! Qualquer um! Qualquer um! Qualquer um! Qualquer um! Qualquer um! — Ele berra como um louco.
Na verdade, não há “como” sobre isso. A luz da razão desapareceu completamente de seus olhos.
— Qualquer um! Qualquer um! Qualquer um! Qualquer…
A dama de espadas afunda em sua garganta, e ele engasga enquanto morre.
Agora, apenas Despoht permanece.
Despoht permanece colado à sua cadeira. Ele está petrificado demais para se mover.
Jack, o Estripador, ergue o rei de espadas e o gira em sua mão, brincando com ele como se estivesse brincando com o próprio Despoht.
— O que você é? O que um monstro como você está fazendo em um lugar como este?
A fragilidade na voz de Despoht é totalmente inadequada para o líder dos Treze Lâminas Noturnas.
— Poupe-me. Farei qualquer coisa. Posso te pagar.
Jack, o Estripador, vira habilmente o rei entre os dedos.
— Se você quer desculpas, eu te dou quantas quiser. Por favor, tudo o que peço é a minha vida…
Despoht se curva tão baixo que sua testa raspa no chão.
— Poupe-me. Apenas poupe-me…
Enquanto ele faz isso, o rei de espadas afunda na parte de trás de sua cabeça.
Os Treze Lâminas Noturnas foram completamente eliminados.
A maneira como Despoht morre, parece que ele está se desculpando com tudo no mundo inteiro.
Enquanto isso, os golpes inúteis de Millia ecoam ocos contra a barreira. Wham, wham, wham.
Jack, o Estripador, varre com o olhar os corpos nos assentos dos espectadores e depois se vira para Millia.
Millia apenas continua a bater.
Enquanto ela faz isso, Jack, o Estripador, começa a caminhar sem pressa em direção à barreira.
Então seu braço a roça. Magia roxo-azulada se espalha como fumaça e, um momento depois, Jack está dentro novamente.
Millia não perde tempo em atacá-lo.
— GRORRRR!! — Ela berra, deliciada.
Jack, o Estripador, está indefeso e, com um golpe de seu braço direito, ela o lança voando. Ele se choca contra a parede a uma velocidade impensável.
Um momento depois, no entanto, ele se levanta de um salto e fixa seu olhar em Millia.
— GROHHHHHHHHH!!
Ela avança sobre ele como um animal selvagem.
O Culto se superou. Sua estrutura maciça, proeza física e habilidades mágicas estão funcionando em perfeita harmonia. Ela é uma força avassaladora de pura devastação, e ela destrói a arena e faz a barreira resistente tremer.
O corpo de Jack, o Estripador, voa como uma bola de pinball, rolando pela arena de novo e de novo.
No entanto, ele não cai.
Os golpes de Millia estão acertando, mas ele está rolando cuidadosamente com os impactos para evitar sofrer qualquer golpe letal.
Seu olhar está fixo em Millia.
— GRAHHHHHHHHH!! — Ela ruge.
Fluido preto-avermelhado espirra por toda parte enquanto sua carne começa a se transformar. Tentáculos finos, incontáveis, brotam de suas costas, peito e até mesmo de seu rosto. Os tentáculos têm uma forma e uma cor sinistras, e se espalham em todas as direções, enchendo a arena até transbordar.
Há bem mais de mil deles cercando Jack, o Estripador.
Todos de uma vez, eles o empalam.
Há tantos tentáculos atravessando-o que, em um instante, eles o engolfaram completamente. Tudo o que resta dele é uma massa de tentáculos se contorcendo.
É como uma pilha de minhocas de lodo, pensa Christina.
Há tantos tentáculos espetando Jack, o Estripador, que não se pode mais vê-lo. Quando ela vê a massa inquietante e pulsante que o substituiu, tudo em que consegue pensar são minhocas de lodo.
— Ele está morto…? — pergunta Alexia ao seu lado. Ela parece mal poder acreditar.
— Não sei. Não entendo como ele pôde cair tão facilmente.
— Sim, ele nem tentou revidar.
— Exatamente…
Nem uma vez Jack, o Estripador, mostrou sinais de ataque.
Os Treze Lâminas Noturnas estão mortos, assim como ele queria. Foi quase anticlimático, a facilidade com que os antigos governantes do submundo do Reino de Midgar caíram. Eles eram tão poderosos, mas se renderam como um bando de idiotas.
Christina percebe que está prestes a sorrir e apressadamente cobre a boca.
De qualquer forma, com os Treze Lâminas Noturnas mortos, Jack, o Estripador, fez o que se propôs a fazer. Para ele, esta batalha com Millia não tem nada a ver com seus objetivos.
— Ele pode simplesmente estar satisfeito, agora que fez o que veio fazer…
Quando Christina diz isso em voz alta, parece fazer sentido.
Alexia faz uma careta.
— Não consigo imaginar como alguém sobreviveria no meio de todos aqueles tentáculos.
Não apenas os tentáculos são fortes, mas estão imbuídos de uma magia poderosa, e agora Millia está produzindo mais deles a cada minuto. As dúvidas de Alexia são perfeitamente lógicas.
Então, um raio de luz roxo-azulada surge em meio aos tentáculos.
Começa pequeno e fraco, mas logo começa a vazar de mais e mais lugares e a tingir toda a arena com seu brilho.
— I-isso é magia?!
É, e de uma força inimaginável.
A magia incha e explode os tentáculos para longe.
— GYAHHHHHHHHHH!! — Millia grita. Ela arranca seus tentáculos despedaçados, gritando de dor o tempo todo.
Lenta mas seguramente, a luz roxo-azulada se apaga.
Em seu lugar está um homem vestido com um longo casaco preto azeviche.
— Não pode ser… Não pode ser!
As botas do homem estalam contra o chão enquanto ele avança.
— Meu nome é Shadow — diz ele, sua voz ecoando como se viesse das profundezas do abismo. — Eu me esgueiro na escuridão e caço as sombras…
Alexia o encara, chocada.
— O quê…? O que Shadow está fazendo aqui?
Christina também está perplexa. No entanto, ela acredita que há um significado no fato de ele ter se mostrado a ela.
Ele deve ter algum motivo.
Afinal, ele uma vez disse que tinha um dever a cumprir, mesmo que isso significasse carregar todos os pecados do mundo. Christina está determinada a testemunhar o caminho manchado de sangue que ele percorre.
— GUH… AHHHHHH!
Christina e Alexia não são as únicas confusas.
Quando Shadow faz sua aparição súbita, Millia também congela.
— AHHHHHHHHHHHHHHH!
Ela passa da confusão ao ódio.
— SHAAAAAAAAADOOOOOOOOOOH!!
Pela primeira vez, sua voz soa quase humana.
É quase como se ela estivesse gritando “Shadow!”
— SHAAAAAAAAADOOOOOOOOOOOOOOOOOOW!!
Sua pele estala enquanto outro conjunto de tentáculos irrompe de sua carne.
Millia lança esses tentáculos e seu poderoso braço direito para atacar Shadow. É uma verdadeira tempestade de golpes. Inúmeros tentáculos avançam sobre ele, e o braço vem varrendo com uma força tremenda.
Diante de seu ataque incessante, Shadow começa sua dança. Flutuando tão levemente quanto uma pétala de flor ao vento, ele corta os tentáculos e se esquiva do braço por uma margem mínima.
Enquanto ele gira elegantemente, aproveita cada abertura que pode para avançar com seus pequenos espinhos. Arcos de magia roxo-azulada entalham o corpo de Millia. Seu sangue voa, e a magia adere às suas feridas.
Com o passar do tempo, mais e mais do corpo de Millia é tomado pelas marcas roxo-azuladas.
— Por que…? Por que ele não a derrota? — diz Alexia. — O monstro é forte, mas Shadow tem a situação sob controle. É como se ele a estivesse atormentando.
Christina compartilha da mesma opinião. Por que ele simplesmente não a mata na hora? Ela sabe muito bem que ele é forte o suficiente para fazer isso.
— Ele deve ter algum motivo.
— O que você quer dizer?
— Ele tem um dever a cumprir. Vamos apenas testemunhar seu caminho manchado de sangue…
— O quê?
Logo quando Alexia olha para Christina em confusão, sua atenção é exigida em outro lugar.
— SHADOWWWWWWWWW!!
O grito de Millia corta o ar.
Desta vez, elas o ouvem claramente. Ela definitivamente acabou de chamar o nome de Shadow.
— Ela está… recuperando a voz?
Millia está começando a soar como uma garota humana.
Ela continua atacando sem parar, e a cada abertura que deixa, mais brilhos roxo-azulados piscam no ar. A magia continua a se agarrar a ela e, em pouco tempo, ela está coberta da cabeça aos pés.
— O-olhe aquilo!
O corpo de Millia ficou visivelmente menor. Pedaços de sua carne inchada e monstruosa foram raspados, deixando manchas de pele pálida e feminina visíveis.
Ela está se transformando de volta em humana, de monstro que era.
— A magia roxo-azulada a está curando…
Christina acaba de notar que, nos locais onde a magia é mais densa, o corpo de Millia está se curando.
Agora, sua pele branca e macia, sua carne monstruosa e hedionda, e seus tentáculos fibrosos estão todos misturados.
Millia solta um grito de dor.
— Shadowwwwww!!
Nesse ponto, elas percebem que ela está soluçando.
Metade de seu rosto voltou a ser o de uma jovem, e há lágrimas de sangue escorrendo de seu olho humano.
— ShadowwwwWWWWWWWW!
Ela está chorando.
Enquanto soluça, ela lança seu corpo meio-humano, meio-monstro e põe seus tentáculos e braço direito em movimento. Seus movimentos mudam gradualmente dos gestos ousados e tremendos de um monstro para as ações ágeis e perspicazes de um humano.
Tentáculos irrompem de sua pele clara, tantos que enchem toda a arena.
— Sha…dowwww…!!
Um grito angustiado.
Fios agonizantes de sangue escorrem dos locais de onde os tentáculos brotaram.
Usando esses tentáculos, Millia finalmente consegue prender os membros de Shadow.
Ela derruba seu braço direito.
No entanto, Shadow corta os tentáculos e, em seguida, decepa o braço que se aproxima também. O apêndice monstruoso e decepado voa pelo ar.
No final, ele nunca volta a se tornar humano.
Dito isso, Millia ainda resta com um braço esquerdo humano, e em sua mão, ela segura um punhal.
Onde ela poderia estar guardando isso?
Todo esse tempo, ela só usou o braço direito para atacar. Ela deve ter escondido o punhal na mão esquerda o tempo todo.
Ela agarra o punhal como se fosse precioso para ela.
— SHADOWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWWW!!
Ela avança com o punhal em uma tentativa de perfurar o coração de Shadow.
— Excelente trabalho — diz Shadow.
Enquanto ele fala, ele envolve Millia em uma torrente de magia roxo-azulada.
Seu punhal para pouco antes de atingir o coração dele.
— Ahhh… Ah…
A luz da razão retorna aos olhos de Millia.
Os tentáculos desaparecem.
O punhal tilinta no chão. É incrustado com uma joia vermelha e tem as palavras Para Millia, minha amada filha, gravadas em seu cabo.
— P-Papai… — Ela murmura, e então desmaia.
Não fica claro se foi Shadow quem parou sua lâmina ou se foi a própria Millia.
Shadow ampara Millia enquanto ela desmaia e, em seguida, acena com o braço.
Quando ele o faz, um grupo de mulheres vestidas com macacões pretos aparece ao seu redor. Onde elas poderiam estar escondidas? Ninguém sequer as notou.
Elas se ajoelham e aguardam as ordens de seu mestre.
— Cuidem da limpeza.
Shadow entrega Millia àquela que parece ser a líder do grupo e, em seguida, desaparece.
Ao confirmar que Shadow partiu, as mulheres se espalham e começam a trabalhar.
Depois de recolher Millia, seu braço direito e sua faca, a líder se vira e olha para o esconderijo das garotas. Ela gesticula com o queixo em direção à saída. A expressão em seu rosto deixa sua mensagem perfeitamente clara: Estamos dispostas a deixá-las ir, mas vocês precisam sair.
Alexia começa a suar frio.
— A-acho que fomos descobertas…
— Ah-ah-ahhh! — gagueja Kanade, apavorada.
— O que fazemos? — pergunta Christina.
— Devemos pelo menos fingir que estamos saindo — responde Alexia com um suspiro. Ela se dirige para a passagem secreta. — Está tudo bem. Tenho certeza de que elas irão embora em breve.
Kanade corre atrás dela, mas Christina dá uma última olhada por cima do ombro.
— Esta é a escolha que você fez, então?
O homem disse que trilharia um caminho manchado de sangue, mas escolheu salvar aquele monstro. Assim como ele uma vez resgatou a própria Christina do perigo, ela não tem dúvidas de que ele deu salvação a inúmeras pessoas no cumprimento de seu dever.
Para ela, aquele caminho manchado de sangue dele brilha com esplendor.
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Depois de abalar a capital até seus alicerces e matar os Treze Lâminas Noturnas, Jack, o Estripador, desaparece.
As pessoas têm todo tipo de teorias sobre quem ele é. Especulam que ele seja de tudo, desde um assassino de Velgalta até um lendário cavaleiro das trevas que retornou do túmulo como um espírito vingativo, e boatos sem um pingo de verdade se espalham como fogo. Há alguns que até dizem que Jack, o Estripador, é Shadow, mas a Ordem dos Cavaleiros nega essa possibilidade.
No final, a identidade de Jack, o Estripador, permanece um mistério. No entanto, a história sobre ele ter matado sete dos Treze Lâminas Noturnas em uma única noite, depois de eles terem fortalecido suas defesas com dezenas de cavaleiros, tanto das trevas quanto de outros tipos, rapidamente atinge o status de lenda, e a conclusão popular é que, dada a força sobrenatural de Jack, o Estripador, ele deve ter sido algum tipo de demônio ou fantasma.
Aposto que em uns cem anos, eles farão um filme chamado A Chocante Verdade por Trás de Jack, o Estripador! ou algo assim e o transmitirão para o mundo todo.
De qualquer forma, isso não poderia ter corrido melhor. Realizei tudo o que me propus, e Jack, o Estripador, será lembrado pela história como uma lenda.
— Aconteceu algo de bom com você? — pergunta o homem sentado à minha frente.
Se bem me lembro – o que definitivamente posso não estar – ele é Gray, chefe do departamento de investigação criminal da Ordem dos Cavaleiros. No momento, estou sendo interrogado em sua sala de interrogatório como uma pessoa de interesse.
— Ah, eu só estava pensando que, com pessoas tão habilidosas como você na Ordem dos Cavaleiros, Jack, o Estripador, vai ser pego em pouco tempo — respondo, mentindo descaradamente.
— Pode contar com isso, filho. Você tem um bom olho para alguém da sua idade. — Gray assente algumas vezes em satisfação. — Agora, uma última coisa antes de terminarmos. Você não entrou na propriedade Branco, não é?
— Oh, claro que não. Isso seria invasão. Fiquei com medo até de chegar perto.
— A Princesa Alexia vai ser a minha morte, juro. O fato de ela ter entrado lá sem permissão põe em xeque todo o seu testemunho.
— E-e, hum, o que você acha dos boatos de que Jack, o Estripador, é secretamente Shadow?
— Oh, isso é tudo besteira. Shadow tem causado estragos na capital, e as pessoas só querem manchar o nome da Ordem dos Cavaleiros dizendo que Shadow nos enganou de novo.
— M-mas a Princesa Alexia diz que o viu…
— Estava escuro, então ela provavelmente se confundiu com o que viu. Ela foi a única testemunha, e está chegando àquela idade em que quer ser o centro das atenções.
— Oh, sério?
— Sim, sério. Agora, eu diria que é só isso por hoje. Obrigado por ser tão cooperativo. Duvido que precisemos te chamar para interrogatório novamente.
— F-fico feliz em ouvir isso.
— Cuide-se.
Eu me curvo para Gray e saio da sala sem janelas. As habilidades dedutivas do cara são um lixo, mas suas habilidades como cavaleiro das trevas não são nada más. Sinto que seriam muito mais bem aproveitadas se ele saísse para lutar contra as pessoas em vez de conduzir investigações.
Eu me pergunto, ocioso, se Kanade é a próxima pessoa que eles vão interrogar.
Eles a chamaram ao mesmo tempo que eu.
Caminho pelo corredor e me dirijo à sala de espera.
Enquanto faço isso, um homem por quem passo chama minha atenção.
— Hmm? — Eu paro e olho para ele.
— Sim? — Ele para e olha para mim. É um homem alto com olhos finos e estreitos. Ele me dá um sorriso suave.
— Não, não é nada.
— Entendo. Você é…? Não, não é nada.
Ele começa a dizer algo, mas se interrompe no meio. Depois de me dar outro sorriso, ele se afasta.
Eu também me afasto, sentindo sua presença atrás de mim enquanto o faço.
O homem entra na sala de interrogatório de Gray.
— Ele parecia bem forte — digo em voz baixa.
Um homem entra na sala de interrogatório e senta-se na cadeira em frente a Gray.
Gray apressadamente faz uma reverência a ele.
— E-eu não sabia que o senhor estava aqui!
— Você foi lento — diz o homem com um suspiro.
— Lento como?
— Para me notar.
— E-eu sinto muito. O senhor silenciou sua presença, então não o notei até que estivesse bem diante dos meus olhos…
— O garoto me notou.
— Que garoto? Você quer dizer Cid Kagenou?
— Não sei o nome dele. Era um garoto de cabelo escuro. Passei por ele no corredor agora há pouco.
— Ele é um cavaleiro das trevas, mas suas notas são medianas. Poderia ter sido apenas uma coincidência?
— Talvez tenha sido isso. Coincidências podem acontecer nos momentos e lugares mais estranhos — responde o homem com um sorriso.
Para ele, isso não passa de uma conversa fiada, e ele provavelmente já terá se esquecido do garoto quando o dia seguinte chegar. Foi uma pequena estranheza, nada mais.
— Não estou feliz por ter perdido os Treze Lâminas Noturnas — continua o homem.
— Minhas desculpas, senhor. Fizemos o que pudemos, mas temos tão poucas forças que podemos mobilizar livremente aqui no Reino de Midgar.
— É o que é. Graças àquele idiota do Fenrir, nossa influência em Midgar despencou. O Jardim das Sombras viu essa brecha e a aproveitou ao máximo.
— …Isso afetará o plano?
— Não, estamos bem nesse ponto. A Mandíbula Caçadora de Sombras terá sucesso.
— Shadow foi mais forte do que prevíamos. De acordo com o que ouvi, o Experimento nº 227, Millia, foi completamente impotente contra ele.
— Isso está dentro das expectativas. Está tudo bem. — O homem ri baixinho. — Com os Treze Lâminas Noturnas mortos, temos ainda menos peões para usar em Midgar. Talvez eu precise colocá-lo em jogo diretamente, então certifique-se de estar pronto para isso.
— Como desejar, Mestre Loki.
— Não me decepcione.
O homem desaparece, deixando Gray sozinho na sala sem janelas.
Tradução: Gabriella
Revisão: Pride
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