A Eminência nas Sombras

A Eminência nas Sombras – Vol. 05 – Cap. 05 – Terroristas Atacam a Escola… de Novo!!

 

Alexia contempla o prédio da academia, banhado pela luz do crepúsculo. As aulas acabaram de terminar, e os outros estudantes passam por ela.

— Não posso confiar na Ordem dos Cavaleiros. Nem na minha irmã…

Ela se lembra da conversa com Iris no dia anterior. Sua irmã mudou, e nada do que Alexia diz parece alcançá-la.

— Preciso fazer alguma coisa…

Em algum lugar do campus, o Culto tenta restaurar o braço direito de Diablos e, sem ninguém com quem contar, tudo depende dela. Se conseguir impedir que revivam o braço e obter provas concretas, as pessoas não terão escolha a não ser ouvi-la.

— Ei, saia da frente.

— Ai!

De repente, algo a atinge por trás com uma velocidade incrível.

Alexia se vira e encontra uma bela garota de cabelos escuros, com o pôr do sol às suas costas. 

— Claire…

— Se você ficar parada aí, vai atrapalhar minha investida.

— S-sua o quê?

Alexia não consegue entender o que ela está dizendo.

Claire a encara, com os olhos ardendo com uma confiança bizarra.

— O que foi, Alexia? Parece desanimada.

— Eu… eu estava apenas pensando no que preciso fazer.

— Que coincidência. Eu também.

— Você estava?

— Sim. Mesmo que a verdade seja varrida para debaixo do tapete, isso não significa que as coisas tenham que terminar assim. É importante que alguém investigue o caso em segredo.

— …?

— Além disso, eu queria falar com você sobre uma coisa. Acontece que… fui escolhida. — Claire levanta a mão direita, aquela com o círculo mágico. — Tenho o dever de salvar o mundo e manter o Cid seguro. Foi para isso que recebi este poder.

— Desculpe, o quê?

— Se temos o mesmo objetivo, então estou disposta a unir forças. Vamos lá.

— E-espere um minuto!

Claire arrasta Alexia pelo braço. Ela ainda não faz a menor ideia do que diabos Claire está falando.

De uma forma estranha, porém, a sensação é boa.

— E para onde você pensa que está me levando? — exige Alexia.

— Para a igreja.

— Você sabe onde fica?!

— Sei. Minha mão direita está latejando. — Claire para, com uma expressão severa. — Aurora se recusa a falar sobre isso, mas sei que ela está escondendo algo. Esta pulsação me levará à verdade, tenho certeza.

Com isso, Claire desenrola a atadura de sua mão.

Debaixo dela, o círculo mágico brilha fracamente.

— Isso tudo parece extremamente suspeito… — diz Alexia.

— Pouco a pouco, está ficando mais forte. A hora do acerto de contas está próxima. — De repente, o círculo mágico brilha mais forte do que nunca. — Lá vem!

Um momento depois, o mundo inteiro se estilhaça como vidro.

— Não pode ser! — grita Alexia. — Você está de brincadeira!

Ela reconhece o cenário diante dela. É exatamente o mesmo que viu quando o bibliotecário as sequestrou.

A academia está envolta em névoa branca.

— O-o que está acontecendo?! Que névoa é essa…?

A academia inteira está cercada por ela, e os estudantes que estavam indo para casa foram todos engolidos.

 

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Do telhado da escola, eu contemplo a academia tingida com as cores do crepúsculo.

— “Por mim, tudo bem. O mundo precisa disso… então eu assumirei todo o desprezo deles. Cumprir isso é o meu dever.”

Enquanto murmuro uma variação da frase que Zeta me disse na noite passada, sinto meu coração se agitar.

— …Ah, sim, isso funciona com certeza.

Shadow, o homem que se rebela contra o próprio mundo. Ele precisa proteger a todos e, para isso, assume todos os pecados para si.

Tenho que dizer, isso é muito legal.

— Mandou bem, Zeta. Não acredito no quão longe você refinou a premissa.

Em respeito ao seu trabalho incrível, vou plagiá-lo descaradamente.

Espere um minuto, calma aí. Agora que penso nisso, eu não criei uma frase semelhante uma vez?

“Desde o início, não trilhamos o caminho da justiça nem do mal. Nós trilhamos nosso próprio caminho.”

Avanço até a beirada do telhado e faço uma pose legal. Meu uniforme esvoaça ao vento.

“Você fala demais. Acuse-nos pelos pecados do mundo. Nós os aceitaremos como nossos.”

Sim. Ainda é legal.

Agora tenho certeza: isso é definitivamente algo que eu disse. Frases como essas são perfeitas para telhados ao entardecer.

— Então, cronologicamente falando, eu fui o primeiro. Isso significa que posso plagiá-la o quanto quiser. Se for o caso, foi ela quem me plagiou.

Na próxima vez que tiver a chance, com certeza vou usar essa. Na verdade, esta é uma ótima oportunidade. Tenho relaxado no meu treinamento de “Frases Legais” ultimamente, então agora pode ser um ótimo momento para voltar ao básico e praticar um pouco.

— “…Aquilo foi minha pós-imagem.”

— “Avancem, sombras – devorem-nos.”

— “O vento está assobiando – assobiando com os gritos das almas.”

A cada citação, faço uma pose diferente.

Na minha vida passada, eu frequentemente subia em telhados para treinar assim em segredo. Bons tempos, bons tempos.

“O pátio da escola manchado pelo sol poente… Sozinho no telhado… Eu, com um sorriso significativo, observando os estudantes irem para casa… Essa sensação, como se algo grande estivesse prestes a acontecer…”

Tudo na situação é perfeito.

Levanto minha mão direita e sussurro, empolgado.

— Lá vem.

Nem um instante depois, o mundo se estilhaça em pedaços.

Uma névoa branca começa a se formar.

— …Hã?

A névoa envolve todo o campus, como se nos isolasse do mundo exterior. Em pouco tempo, fica tão densa que nem a luz do pôr do sol consegue nos alcançar.

— … — Pisco várias vezes e olho ao redor. — Desculpe, o quê?

Eu tinha a sensação de que algo grande ia acontecer, mas não achei que algo realmente aconteceria.

Consigo ouvir vozes em pânico subindo do pátio da escola.

— O-o que está acontecendo?!

— A-alguém chame um professor!

— Os professores estão todos em uma reunião fora da escola. Não há ninguém aqui além de nós!

Os estudantes restantes começam a se reunir.

— Hmm — reflito. — Uma névoa branca misteriosa… Um campus isolado… Eu, sorrindo no topo do telhado… Isso é bom.

Não sei exatamente o que está acontecendo, mas claramente ativamos algum tipo de evento.

— Em breve… a névoa branca engolirá o mundo em silêncio.

Depois de soltar um último murmúrio profundo, deixo o telhado.

Quando desço as escadas e saio para o corredor, descubro que está escuro por causa da espessura da névoa. Mais da metade dos estudantes já foi embora.

— Mas, sério, qual é a dessa névoa?

Eu presumi que o bibliotecário estivesse usando algum tipo de artefato ou algo assim, mas ele está fora de cena agora.

Tento sondar a névoa com magia para descobrir o que está acontecendo, mas tudo o que aprendo é que é uma névoa bem esquisita.

— …Tanto faz.

Para mim, descobrir o segredo da névoa é muito menos importante do que descobrir como aproveitar ao máximo meu tempo dentro dela. A questão é: devo me juntar aos outros estudantes ou simplesmente aparecer do nada como Shadow?

“Decisões, decisões.”

Enquanto caminho alegremente pelo corredor, ouço alguém gritando ao longe.

— Ooh, um gancho para a trama?

Acelero o passo e corro na direção do grito.

— Foi mais ou menos por aqui que ouvi, certo…?

Chego a uma área apertada, cheia de portas. É aqui que ficam as salas de estudo particulares.

A maioria das aulas já terminou, então a maior parte das salas está vazia. No entanto, uma das portas está trancada, e consigo ouvir barulhos vindo de dentro.

Hrah!

Arranco a fechadura, maçaneta e tudo, e então entro com uma entrada dinâmica.

— M-mas o que é essa coisa?!

Lá dentro, encontro um estudante. Ele está agarrando o pescoço e gemendo.

Acho que já o vi antes.

— Ah, olá, se não é meu colega de classe, uh… Suzuki, certo?

Ah, sim, agora me lembro. Esse cara é tão esquecível quanto eu. Na verdade, respeito muito o quão completo Zé Ninguém ele é, e já usei seu comportamento como referência em mais de uma ocasião.

De acordo com minha lista interna de personagens secundários, ele é membro de uma família ramo dos Hope e um parente distante de Christina.

— E-ei, Kagenou, você tem que me ajudar! Essa coleira não sai!!

— Espera, o quê?

Com certeza, há uma coleira de aparência chamativa presa ao redor do pescoço de Suzuki. Qual é, cara, personagens secundários não deveriam usar coisas assim.

— Eca. Isso não combina com você.

— Apareceu do nada! Não consigo tirar, e fica fazendo esse barulho estranho!

Consigo ouvir um “bip, bip, bip” baixo vindo dela.

Há um cronômetro na coleira, e logo depois que olho para ele, chega a zero.

Um zumbido prolongado soa.

— Oh.

— Oh…

Com isso, a cabeça de Suzuki voa pelos ares.

Sangue jorra pelo quarto, e eu rapidamente me protejo com limo para não ser atingido.

A cabeça de Suzuki rola pelo chão. Olho para baixo e vejo que está me encarando com uma expressão carrancuda.

— …Sabe, eu meio que senti que ia explodir.

Acho que devia ter dito algo antes.

Descanse em paz.

— Agora, vamos ver qual é a dessa coisinha.

Pego a coleira de Suzuki. Continua tão feia quanto antes, mas agora também está enegrecida e chamuscada. O cronômetro está congelado no zero.

— Hmm…

Derramo um pouco de mana nela para verificar.

Entre isso e meu conhecimento da minha vida passada, consigo formular uma hipótese de trabalho incrivelmente detalhada. Para resumir…

— É uma daquelas coisas de coleira-bomba que explode quando o cronômetro chega a zero!

Então continuo a expandir minha teoria.

— Aha, entendi. A maioria dos cronômetros diminui com o tempo, mas parece que estes são um pouco diferentes. O ponteiro sobe e desce em resposta à magia, e parece que quando você o toca, ele começa a sugar sua mana. Então, em resumo… a coleira drena constantemente a mana de quem a usa, e quando ela chega a zero, explode!

Suzuki ficava bem chateado por ter uma das menores reservas de mana da turma. Ele devia estar treinando aqui na sala de estudo, e teve o azar de se envolver em toda essa situação bem quando já tinha usado a maior parte de sua magia.

Eu sorrio. 

— …Uma única verdade prevalece.

As perguntas são: quem colocou a coleira nele e quando?

— Agora, se alguém tivesse uma dessas coisas presa, a gente pensaria que a pessoa perceberia. Teria que ser muito idiota para não notar que está com uma…

Uma premonição desagradável me atinge, e eu levo a mão ao pescoço.

Há uma coleira nele.

Quando diabos isso apareceu aí?

— …Claramente, devem ter usado algum método incrivelmente sofisticado que nenhuma pessoa normal conseguiria notar.

A única possibilidade que me vem à mente é que as coleiras apareceram ao mesmo tempo que a névoa branca.

Faço um espelho de limo e observo minha coleira mais de perto. Com certeza, é do mesmo tipo da que Suzuki tinha. No entanto, meu contador de mana restante está atingindo o limite de 9.999 e travando. Sinto que está drenando ela lentamente, mas é basicamente uma gota no oceano e nem de perto ultrapassa minha taxa de regeneração natural.

— Interessante…

Tenho quase certeza de que conseguiria tirá-la se me esforçasse, mas não vamos ser ridículos. Eventos de coleira-bomba não acontecem todos os dias, e eu não perderia este por nada no mundo.

Para começar, decido cortar temporariamente meus circuitos mágicos internos para ajustar minhas reservas de mana latente.

— Suzuki não tinha muita mana, então… sim, isso deve resolver.

Brinco com minhas reservas até meu cronômetro chegar a cerca de seiscentos. Parece que essa coisa suga cerca de um ponto de mana a cada dez segundos, o que significa que tenho uma hora e quarenta minutos de vida.

Se quer saber por que estou ajustando intencionalmente minhas reservas para corresponder às de Suzuki, a resposta é óbvia…

— …Às vezes, uma Eminência nas Sombras precisa pegar um estudante morto, roubar sua identidade e se infiltrar. Heh-heh-heh. Isso vai ser incrível.

Suzuki era um completo ninguém, então vai deixar as pessoas confusas quando ele começar a soltar frases profundas sobre a situação em que estamos. Isso deixará claro que há mais nele do que aparenta, e quando finalmente encurralarmos o culpado, ele revelará sua verdadeira forma!

Já estou ficando animado.

— Tenho as técnicas de maquiagem com limo que copiei da Nu e a cirurgia plástica com limo que copiei da Epsilon, então… isso deve dar conta do recado.

Olho novamente para o meu espelho, e a pessoa que me encara é inconfundivelmente Suzuki. Depois de roubar sua identidade de estudante e outros pertences, só por precaução, meus preparativos estão completos.

— Certo, vamos nessa!

Quando saio da sala de estudo, faço-o com um novo ânimo em meus passos.

Alexia e Claire se reuniram no auditório e estão discutindo a situação.

— Essas coleiras estão drenando nossa mana, tenho certeza. E quando o cronômetro chegar a zero… — Alexia olha para os estudantes mortos no chão, com os pescoços explodidos.

— Também não é seguro tirá-las — responde Claire. Ela tentou passar magia por sua própria coleira algumas vezes para testar, mas toda vez sentiu uma resistência desagradável. É possível que elas estejam programadas para explodir se alguém tentar mexer nelas.

Alexia se dirige aos estudantes reunidos. 

— Resumindo, precisamos evitar usar magia, a menos que seja absolutamente necessário. Isso vale em dobro para os estudantes que não têm muita mana para começar.

Os estudantes presos pela névoa branca se reuniram no auditório. Muitas pessoas já foram embora, mas mesmo assim, mais e mais estudantes continuam chegando, cada um usando a mesma coleira sinistra no pescoço.

A coleira de Alexia marca 1.303, e o visor de Claire, 1.917.

— Procurei por toda parte, mas não encontrei nenhum professor para pedirmos ajuda — diz uma garota baixinha de saia curta. É Nina.

— Foi o que imaginei — responde Alexia. — Teremos que superar isso juntos.

— Nina, você sabe onde está o Cid? — pergunta Claire.

— Não vi o moleque. Ele provavelmente já está de volta ao dormitório.

Claire suspira aliviada. 

— Graças a Deus…

— A questão é: o que exatamente está acontecendo aqui? — diz Alexia. — Tem essa névoa branca estranha, essas coleiras sinistras, e não conseguimos entrar em contato com o mundo exterior. Não consigo entender nada.

— É o Jardim das Sombras — diz um garoto de cabelo verde-escuro. — Correm boatos de que uma organização com esse nome esteve envolvida tanto no caso dos estudantes desaparecidos quanto na morte inexplicada do bibliotecário-chefe. Meu pai é membro da Ordem dos Cavaleiros e me contou tudo.

— Você é… Isaac, certo? Ouvi dizer que você é muito promissor como cavaleiro das trevas. Mas que prova você tem de que o Jardim das Sombras está por trás disso?

— Prova? Que pergunta estranha de se fazer, Alteza. Esta nem é a primeira vez que eles tomam a escola.

— …Qual o motivo deles, então?

— São uma organização criminosa maligna. Eles não precisam de um motivo. Para eles, saciar sua sede de assassinato é um fim em si mesmo.

Um murmúrio percorre os estudantes que ouvem à margem.

— O-o Jardim das Sombras está agindo de novo…

— E-eu achei que ia morrer da última vez… Snif

— Isso não é justo. Por que estão fazendo isso conosco?!

— Acalmem-se, todos! — grita Alexia. — E, Isaac, cuidado com o que diz. As pessoas já estão assustadas o suficiente.

— Perdoe-me. — Isaac dá de ombros, se desculpando. No entanto, isso faz pouco para acalmar os medos dos outros estudantes.

— É perigoso apontar um culpado quando não temos informações suficientes. O que deveríamos estar fazendo agora é nos livrar dessas coleiras e escapar. Não concordam?

— Isso pode ser mais fácil dizer do que fazer — intervém Nina. — Tentei testar até onde a névoa vai, mas não acho que vamos conseguir sair do campus. Há algum tipo de parede invisível no caminho.

— Então existe ao menos uma forma de removermos estas coleiras?

— Isso é complicado. São artefatos bem perigosos. Quem sabe o que aconteceria se você tentasse mexer com eles?

— Provavelmente é uma boa ideia…

Um silêncio pesado desce sobre o auditório.

Então, um dos garotos tremendo junto à parede se levanta e dispara. 

— Não, não… Sou muito jovem para morrer!

— Eu também!! Eu não… não vou morrer aqui!

Alguns outros estudantes o seguem, e todos se dirigem para a saída do auditório.

— E-esperem aí!! — Alexia grita apressadamente atrás deles.

No momento em que saem do auditório, porém, sangue espirra.

— Quê…?!

Espadas invisíveis empunhadas por guerreiros fantasmagóricos e sem vida perfuram os estudantes.

— Aqueles são… são espíritos — gagueja Claire.

— Que diabos é um espírito?! — grita Alexia.

— Não tenho muita certeza, mas foi assim que a Aurora os chamou!

As duas desembainham suas espadas e começam a correr.

Isaac e Nina seguem o exemplo delas.

Hraaah!

— Tome isto!

Alexia e Claire atacam, e um punhado de espíritos desaparece.

No entanto, há muito mais espreitando do lado de fora do auditório.

— Há tantos deles… Quando foi que chegaram aqui?

— Estamos em desvantagem numérica. Será uma batalha difícil.

— Cuidado com suas reservas de mana, vocês duas. — Nina as adverte por trás.

Alexia e Claire ofegam em compreensão e então olham para as coleiras uma da outra.

— Recuar! Recuar!

— Fechem a porta!

Enquanto Alexia e Claire empurram os espíritos para trás, Nina e Isaac começam a fechar a porta.

— Voltem para cá, vocês duas!

No último momento antes da porta bater, Alexia e Claire deslizam de volta para o auditório. Então, enquanto recuperam o fôlego, elas olham novamente para as coleiras uma da outra. Alexia está em 1.238. Claire está em 1.825.

— Isso é mau… — diz Alexia. — Não esperava que nossas reservas diminuíssem tão rápido.

— Nem eu — concorda Claire. — Nina, quanto você ainda tem?

— Hã? Essa é, uh, uma boa pergunta.

Por algum motivo, Nina desvia o cronômetro de vista.

— Não conseguimos ver se você fizer isso.

— Oh. Certo. Boa ideia.

Nina revela lentamente seu cronômetro. O número que ele exibe é decididamente mediano.

— Setecentos e oitenta e quatro, hein? Isso é mais baixo do que eu pensava.

— Nesse ritmo, eu diria que me restam cerca de duas horas de vida — diz Nina. — E você, Isaac?

— Estou em mil trezentos e sessenta e sete.

— Caramba, isso é que é ser um aluno de honra. Você tem muita mana. Vamos dar uma volta e ver como estão os outros.

Os quatro dão a volta e verificam os marcadores dos outros estudantes no auditório.

— O estudante mais fraco já está na casa dos trezentos… — diz Alexia em voz baixa quando terminam.

Claire olha para a garota em questão. Ela está tremendo e seu rosto está branco como papel. 

— Sim, ela gastou suas reservas fazendo um estudo autodidata depois da aula. Se não fizermos algo dentro da próxima hora, ela já era…

— Há muitos outros estudantes com reservas baixas também. Além disso, não há garantia de que conseguiremos manter esta posição para sempre.

Os espíritos estão batendo na porta do auditório, e os estudantes estão construindo uma barricada empilhando mesas e cadeiras.

— O que você propõe que façamos, Princesa Alexia? — pergunta Isaac.

— Não sei, eu simplesmente não sei…

Alexia não tinha como prever que seriam engolidos pela névoa branca, e não faz ideia de como desarmar as coleiras.

Seu olhar vagueia, procurando desesperadamente por respostas.

Então ela ouve.

— Do jeito que as coisas estão, estamos apenas sentados esperando para morrer…

A voz não é alta, de forma alguma. No entanto, sua estranha confiança ecoa pelo auditório.

— …mas eu tenho uma ideia.

Há um garoto encostado na parede. Ele passa a mão preguiçosamente pelos cabelos castanho-escuros enquanto caminha em direção a Alexia e os outros.

— Quem é você? — Alexia pergunta.

— Suzuki.

Ele encara Alexia diretamente nos olhos. Há algo um pouco suspeito em seu olhar, mas fora isso, ele é completamente comum.

— Ele é da minha turma — oferece Isaac.

— Suzuki, hein? Bem, você disse que tinha uma ideia. Se importaria em compartilhar?

— De forma alguma… — Suzuki varre lentamente o olhar pelos estudantes no auditório enquanto fala. — A primeira coisa que precisamos perceber é que nossa capacidade de lutar é limitada. A maioria dos estudantes aqui não tem muita mana sobrando, e ela se esgotaria em um instante se tentassem lutar. Se as coisas ficassem violentas, estariam apressando suas próprias mortes cada vez que balançassem suas espadas. Entre isso e a tensão psicológica em que estão, não estão em condições de lutar.

— Você tem razão.

A análise de Suzuki é precisa. Apesar da tensão da situação, ele tirou conclusões inteligentes.

— Apenas o pequeno grupo aqui presente tem magia de sobra. Em outras palavras, são os únicos que podem realmente lutar. Agora, proponho que a gente divida os estudantes em dois grupos.

Ele olha para os estudantes montando a barricada.

— O primeiro grupo será a equipe de defesa. Todos os estudantes com pouca mana ficarão aqui no auditório, e se concentrarão em se manter seguros enquanto preservam mana. Então, o outro grupo…

Ele volta seu olhar para Alexia e os outros.

— …será o ataque.

De repente, uma voz feminina interrompe Suzuki. 

— O que diabos você pensa que está fazendo?!

Toda a tensão se esvai do quarteto que ouvia seu plano com a respiração suspensa.

— Que direito um ninguém de uma família ramo tem para falar com a Princesa Alexia desse jeito? Você devia ficar de boca fechada e ajudar a construir a barricada com os outros. Se manchar a reputação da casa principal falando fora de hora, garanto que haverá consequências.

Há uma garota de cabelo vermelho-claro parada atrás dele.

Alexia a encara. 

— E você é, uh…?

— Sou Christina Hope. Uma parente distante de Suzuki.

— Outra colega de classe minha — acrescenta Isaac. — E uma muito talentosa.

— Sinto muito que Suzuki estivesse te incomodando. Ele realmente deveria saber se comportar.

Christina agarra Suzuki pelo colarinho e tenta arrastá-lo.

No entanto, Alexia a impede. 

— Espere. Ele tem razão.

Christina relutantemente solta Suzuki.

— Caramba — diz ele. — Você nunca muda, não é, Christina?

— Não use esse tom com um membro da casa principal.

— Estamos em estado de emergência. Terei que tomar algumas liberdades.

— E o que exatamente você quer dizer com isso?

O olhar severo de Christina arranca um pequeno suspiro de Suzuki. 

— Voltando ao assunto — diz ele. — Deveríamos pegar os poucos com mana de sobra e fazê-los nossa equipe de ataque. O trabalho desse grupo será romper o cerco dos espíritos e parar o fenômeno na fonte. Esse é o meu plano.

— E qual exatamente é a fonte do fenômeno?

— Estas coleiras estão sugando nossa mana. Já pensou para onde ela vai?

— É um bom ponto… — Alexia se concentra e procura pela mana. Ao fazê-lo, sente um fluxo tênue saindo de sua coleira. — Então, se seguirmos a mana… Estou impressionada que tenha pensado nisso.

Christina também parece um pouco surpresa. 

— Suzuki…

— Foi uma dedução simples. — Ele responde com indiferença. — Qualquer um poderia ter chegado a ela se tivesse se esforçado.

— É uma ideia inteligente. No entanto, seremos capazes de seguir esse fluxo com alguma precisão? — pergunta Isaac. Ele lança um olhar desconfiado na direção de Suzuki. — Uma mana tão tênue pode se dissipar em um piscar de olhos. Sou contra o plano de Suzuki. Ele nem é um bom aluno. Na verdade, é absolutamente incompetente.

— Concordo — diz Christina, com um aceno de cabeça.

Isaac lança um olhar intenso para Suzuki. 

— Permita-me ser direto. Suzuki não é digno de nossa confiança.

Todos os olhos se voltam para Suzuki, que solta uma risadinha. 

— Confiança, hein…? Heh.

— …O que é tão engraçado? — diz Isaac.

— Oh, tudo. Mas devo dizer… nunca esperei ser chamado de não confiável pela pessoa menos confiável da sala.

— E o que exatamente você quer dizer com isso?

Antes que Isaac e Suzuki possam terminar, Claire se manifesta. 

— Estou de acordo com o plano de Suzuki.

— Claire…?

— Minha mão direita está latejando… e está latejando na direção em que a mana está fluindo. Consigo sentir… e não vou me desviar. Consigo seguir o rastro.

O olhar de Claire é de confiança.

— Sabe de uma coisa, Claire? Estou dentro — diz Alexia. — Vamos seguir o plano de Suzuki.

— Por favor, não seja precipitada! — clama Isaac. — Não confio nesse cara.

— Não há tempo — responde Alexia. — Não podemos ficar sentados discutindo táticas para sempre.

— Mas…

— Olha, Isaac, vamos com ou sem você.

Nina levanta a mão. 

— Acho que também estou a favor do plano de Suzuki.

Isso é o suficiente para fazer Isaac ceder. 

— Rgh… Certo. Estou dentro.

— Vamos decidir quem fará parte da equipe de ataque, então — diz Alexia. — Para começar, deveríamos levar eu, Claire e Isaac. Alguma objeção até agora?

Claire e Isaac balançam a cabeça.

— E se possível, gostaria de pedir que você viesse também, Christina.

A magia restante de Christina está em 1.179.

— Eu nunca recusaria um pedido seu, Princesa Alexia. Minha espada é sua.

— Muito agradecida. Então nós quatro…

— Eu também vou — diz Nina, levantando a mão.

A expressão de Alexia azeda. 

— Mas suas reservas de mana…

O contador de Nina está em 784. Com um número desses, ela não pode se dar ao luxo de brincar.

— Nina vai ficar bem — responde Claire. — Ela pode não ter muita mana, mas sabe se virar.

— …Certo. Bem-vinda à equipe, Nina.

— Farei o meu melhor para não atrapalhar vocês.

— Espere um minuto — diz Claire. — Você não estava com setecentos e oitenta e quatro antes?

— Hã? Como assim?

Por um breve momento, a expressão de Nina congela.

— Suas reservas de mana. Sinto que não diminuíram esse tempo todo.

— Acho que não — responde Nina. — Estava em setecentos e noventa e quatro antes, então significa que diminuiu em dez.

— Estava?

— Sim, estava. Você é tão distraída, Claire.

Nina passa suavemente o dedo sobre o cronômetro de sua coleira. Quando o faz, o número diminui em um.

— Ah, sim, desceu para 783 — observa Claire.

— Viu? — diz Nina. — Está diminuindo direitinho.

— Bem, que pena. E eu aqui, pensando que você tinha encontrado alguma forma de impedir que sua mana se esgotasse.

Nina solta um suspiro exasperado. 

— Claro que não.

— Então, com isso — diz Alexia —, nós cinco seremos a equipe de ataque…

— Eu também vou. — Desta vez, é Suzuki quem fala.

— Obviamente, isso não vai acontecer — responde Christina. — Você só tem quinhentos e quarenta e um de magia sobrando.

— Também me oponho — concorda Isaac. — Ele só nos atrasaria.

— Se eu começar a atrapalhar, podem me deixar para trás — diz Suzuki, friamente. — Não pedirei para ninguém me salvar.

Alexia começa a falar, mas Nina a interrompe. 

— Estou de acordo. Se ele acabar sendo um fardo, sempre podemos abandoná-lo e usá-lo como isca.

— Como você pode sugerir algo assim? — Claire a repreende.

— Ele literalmente acabou de concordar com isso. Além disso, suas habilidades analíticas podem ser úteis.

— Digo que devemos levá-lo. — Surpreendentemente, esta última voz de aprovação vem de Christina. — Como membro da casa principal, assumirei total responsabilidade por quaisquer problemas que ele cause. Têm alguma objeção?

Ela encara Suzuki com um olhar fulminante.

Ele lhe dá um aceno de cabeça silencioso. 

— …Por mim, tudo bem.

Alexia assume a liderança enquanto o grupo explica o plano para o resto dos estudantes.

— Vocês vão nos abandonar? — Alguns gritam, mas não há tempo para fazê-los entender.

O grupo de seis sai furtivamente pela entrada dos fundos do auditório, tomando muito cuidado para não chamar atenção. Há alguns espíritos que parecem ser problemáticos, mas Claire e Alexia os despacham rapidamente e incentivam o grupo a prosseguir.

Durante todo o tempo, Christina observa Suzuki sutilmente.

Não há como saber quando ou onde os espíritos podem atacá-los da névoa branca, mas sua compostura não vacila nem um pouco.

— Não faz sentido… — Ela murmura, baixo demais para que qualquer outra pessoa ouça.

Ela e Suzuki são colegas de classe e parentes distantes. Não há nada mais e nada menos em seu relacionamento do que isso, e eles não passaram exatamente muito tempo juntos.

Mesmo assim, ela tem uma noção firme de que tipo de pessoa Suzuki é. Ele não é o tipo de cara que agiria tão descaradamente perto da Princesa Alexia, nem que consegue manter a calma em combate ativo. É quase como se ele tivesse se tornado uma pessoa totalmente diferente. A mudança é tão profunda que essa é a única maneira que ela consegue descrevê-la.

No entanto, seu rosto e sua voz são exatamente os mesmos de sempre.

— Será que ele estava escondendo seu talento?

Talvez ele quisesse evitar se envolver nos conflitos entre a casa principal e sua família ramo. É fraco, como motivo, mas certamente não é impossível.

— Será que ele está usando um artefato ou algum tipo de droga?

Essas são as únicas outras possibilidades que ela consegue imaginar, mas nenhuma delas lhe parece certa. Ainda assim, não há dúvida em sua mente de que algo deve ter provocado a mudança.

Se Suzuki se tornar uma ameaça para a casa principal, Christina não hesitará em se livrar dele.

Bem quando ela firma sua determinação, ela sente.

— Cuidado.

Alguém puxa seu ombro gentilmente.

Um momento depois, uma espada espiritual corta bem diante dos olhos de Christina.

— Fique longe de mim!

Ela reage como qualquer um faria, sacando sua lâmina e cortando o espírito em pedaços. Ele se desfaz em pedaços e desaparece.

— Vejo que sua esgrima continua impressionante como sempre — diz Suzuki.

Ela se vira para ele. 

— …Obrigada por me salvar. — Se ele não estivesse lá, aquele ataque provavelmente a teria atingido em cheio.

— Eu estava apenas cumprindo meu dever como membro da família ramo. — Ele responde secamente. Em seguida, apressa-se à frente.

Christina não consegue lê-lo de forma alguma.

— É por aqui.

Claire traça os tênues fios de mana e avança pelo prédio da escola. De vez em quando, ela aperta as ataduras em sua mão como se estivesse preocupada com algo.

— Qual é o problema com a mão dela? — Isaac pergunta.

— Ela tem algum tipo de poder especial. É mais sensível à mana do que a maioria das pessoas — responde Alexia. Ela decide omitir as partes estranhas sobre Claire ser possuída por um espírito chamado Aurora.

— Imagino que foi assim que ela venceu o Festival Bushin, então.

— Isso faria sentido.

— A névoa está densa aqui em cima — observa Christina. — Não dá para saber de onde alguém pode lançar uma emboscada.

— Verdade.

— Mas não se preocupe, Princesa Alexia. Com certeza a protegerei, não importa o…

Antes que Christina possa terminar a frase, Alexia ataca abruptamente com sua espada, decepando o braço do espírito que estava alcançando seus tornozelos. Após lançar um olhar de soslaio para o espectro enquanto ele se desfaz e desaparece, ela guarda sua lâmina. — Desculpe, você estava dizendo alguma coisa?

— N-não, senhora.

Pelo próximo instante, os seis caminham em silêncio.

Mais tarde, Nina para de repente. 

— Vocês ouviram isso?

— Do que você está falando…? Espera, foram gritos?!

O resto do grupo tem que aguçar os ouvidos, mas são definitivamente gritos.

Claire, que está na vanguarda, se vira. 

— Pode haver estudantes que não conseguiram sair a tempo. O que devemos fazer?

— Preciso te lembrar com que margens apertadas estamos trabalhando?

Isaac tem razão. No tempo desde que deixaram o auditório, eles já gastaram quase um quinto de sua magia.

Depois de hesitar por um momento, Alexia toma a decisão. 

— Vamos ajudá-los.

O grupo corre pelo corredor apenas para ser recebido por uma multidão de espíritos.

— Mais espíritos… Parece que cercaram a sala de aula.

— Há estudantes lá dentro! — grita Claire.

— Lá fora também.

Nina encontrou alguns cadáveres brutalmente mutilados – junto com uma garota que está prestes a ser atravessada.

— Eeeek… S-socorro!!

Eles não chegarão a tempo. Todos têm certeza disso.

No último minuto, porém, um tentáculo vermelho-sangue dispara, resgatando a garota ao destroçar os espíritos que a cercavam.

— Agora!

Ao sinal de Claire, os seis avançam sobre a linha dos espíritos.

Enquanto Claire usa seus tentáculos para abrir grandes buracos na formação dos espíritos, Alexia fatia eficientemente um espírito após o outro. Isaac usa golpes grandes e carregados de mana para arremessar seus inimigos pelos ares.

Os três representam a maior parte da força de combate do grupo.

Enquanto isso, Nina, Christina e Suzuki lutam de forma mais reservada, alguns passos atrás da vanguarda. Nina despacha os espíritos que escapam do ataque de Claire, e Christina luta enquanto mantém um olho em Suzuki o tempo todo.

E quanto a Suzuki… ele apenas fica parado. Nem sequer saca a espada.

Em vez disso, ele simplesmente se encosta na parede e observa a batalha se desenrolar.

Ele se destaca como um polegar dolorido.

Os outros cinco dão conta dos espíritos rapidamente.

Quando a luta termina, Christina é a primeira a falar. 

— Se você não vai ajudar, por que está aqui? — Ela exige de Suzuki.

— Não tenho muita mana sobrando, então estou evitando lutar quando não preciso, só isso. Vocês todos pareciam estar se virando bem sem mim. O quê, precisavam de ajuda?

— Claro que não. Pode continuar tremendo aí no fundo, por mim tudo bem.

— Não se importe se eu o fizer.

A troca de palavras deles carece de qualquer paixão ou emoção. Podem ser colegas de classe e parentes, mas certamente não se saberia disso ao ouvi-los.

Claire vai verificar a garota que acabaram de salvar. 

— Você está bem? Está machucada?

A garota faz uma careta. 

— M-meu braço…

— Parece que está quebrado. Você precisa descansar… — Claire dá uma espiada no cronômetro da garota. Já está abaixo de cem. — Não é seguro aqui fora. Vamos levá-la para aquela sala de aula.

Alexia estende a mão para abrir a porta.

— N-não, não pode! — A garota grita, com uma expressão frenética. — Você tem que me ajudar. Se eu voltar para lá…

Atrás dela, a porta se abre.

— Meu Deus, se não é a Princesa Alexia. Por favor, entrem e fiquem à vontade.

— Eu te conheço… Você é a vice-presidente.

A garota parada ali tem uma beleza encantadora. É Eliza, vice-presidente do conselho estudantil.

Eliza sorri gentilmente enquanto ajuda a tratar os ferimentos da garota. 

— Pronto, tuuudo remendado.

— O-obrigada… Senhora Eliza…

A voz da garota treme, e definitivamente não é por causa da dor.

O guarda-costas musculoso ao lado de Eliza cruza os braços.

Alexia olha ao redor da sala. 

— Eu não sabia que havia tantas pessoas sobrando.

Além de seu grupo e o de Eliza, há outros oito estudantes na sala de aula, assim como quatro cadáveres.

— Assim que aquela névoa branca apareceu, fomos atacados por aqueles monstros estranhos e horríveis… mas como vice-presidente, eu sabia que era meu dever reunir a todos e lutar como se nossas vidas dependessem disso.

Há uma barricada perto da entrada da sala de aula. Está salpicada de sangue, e as paredes estão absolutamente encharcadas.

Alexia lança um olhar para as reservas de mana de Eliza. Estão em 1.971.

— Você tem muita mana aí, vice-presidente. — Ela diz.

— Venho de boa estirpe — responde Eliza. Há um toque de presunção em sua voz. — Tenho orgulho de ser filha dos meus pais.

— Entendo… Bem, o que você planeja fazer a partir de agora? Há estudantes reunidos no auditório, então provavelmente seria mais seguro ir para lá.

— Adoraríamos, mas estou preocupada em chegar lá. As pessoas aqui não têm muita mana sobrando.

Além de Eliza e seu guarda-costas, não há um estudante na sala de aula com mais de 300 de mana sobrando.

— Poderíamos levá-los até parte do caminho — oferece Alexia.

— Oh, céus, isso seria um alívio tão grande.

Enquanto esperam os estudantes terminarem seus preparativos, o grupo de Alexia sai da sala de aula. A garota continua tremendo durante todo o percurso.

Alexia, Claire e Isaac estão na vanguarda enquanto o grupo avança. O objetivo deles é evitar desgastar os estudantes que têm pouca magia.

No entanto, Alexia também não tem muita para gastar.

— Estou com menos de mil… — Ela murmura.

À medida que sua mana se esgota, ela sente a morte se aproximando.

— Estou com mil e cem — diz Isaac.

— Ainda tenho mil e trezentos — responde Claire. — Se as coisas apertarem, deixem comigo.

Os dois têm uma reserva um pouco maior que a de Alexia, mas mesmo assim, a pressão psicológica os está desgastando.

No entanto, quem está na pior situação de todas é a garota que acabaram de salvar.

— Não, não, eu não posso…

Ela treme enquanto observa seu número diminuir constantemente. Suas reservas de mana estão em 59; isso significa que ela tem apenas cerca de dez minutos restantes.

No entanto, não há nada que alguém possa fazer a respeito.

Snif…

Quando ela finalmente desaba em lágrimas, ninguém consegue encontrar palavras para consolá-la.

De repente, o grupo sente uma série de reações mágicas ao seu redor.

— Cuidado.

Eles olham ao redor, mas não há nada além da névoa branca.

Não, isso não é verdade. Há magia se acumulando na névoa e se transformando em espíritos. A névoa está literalmente os conjurando do nada.

— Tomem isto!

Alexia e os outros atacantes apunhalam os espíritos antes que eles tenham a chance de agir. No entanto, há muitos deles. Christina, Nina e os estudantes na retaguarda também se juntam à batalha, e o corredor apertado se transforma em uma confusão generalizada entre humanos e espíritos.

— Droga, tem mais atrás de nós!

— Malditas criaturas!

— Aaaah! Fiquem longe de miiiim!

Apesar de tudo, ainda há aqueles que não lutam.

— Você não vai entrar na briga, Eliza? — Suzuki pergunta.

Eliza ri com desdém enquanto se esquiva habilmente dos golpes dos espíritos. 

— É Senhora Eliza para você, muito obrigada. E a hora de eu lutar ainda não chegou. Qual é a sua desculpa?

— Tenho muito menos mana sobrando do que você, Senhora Eliza. Pensei que se um de nós devesse lutar, seria você, Senhora Eliza.

O guarda-costas musculoso de Eliza lança um olhar fulminante para Suzuki. 

— Cuidado com a boca, novato. — Ele também tem usado magia apenas quando é a única maneira de manter Eliza segura.

Suzuki solta uma risada baixa enquanto eles o encaram, e então olha para a garota de antes. A mana dela está nos dígitos únicos. 

— É uma pena. Você a remendou com tanto cuidado, e agora ela vai morrer.

Apesar do braço ferido e das reservas insignificantes, a garota luta contra os espíritos como se sua vida dependesse disso.

— É o que é. Não há nada que possamos fazer por ela agora.

As reservas de mana da garota continuam caindo. Seis, cinco, quatro…

— Claro que há. Eu dei uma mexida e descobri que dá pra fazer algo bem interessante com essas coleiras.

Com isso, Suzuki atravessa a batalha em direção à garota. Um espírito está prestes a desferir um golpe de espada nela, mas Suzuki o defende com um golpe de palma imbuído de magia.

Com um bam, a espada do espírito explode em pedaços.

— Hã?

A garota olha para Suzuki, chocada.

Outro bam ecoa.

Antes que alguém perceba o que aconteceu, a mandíbula do espírito se estilhaça também. Suzuki abaixa lentamente a palma da mão que acabou de usar.

— O que você acabou de fazer?! — exige Eliza.

— Algumas artes marciais rudimentares. Nada para se empolgar.

Com um sorriso suave, Suzuki estende a mão para a coleira da garota.

Os números continuam diminuindo. Três, dois, um…

É óbvio que a garota está sem salvação.

— Ahhh… Não, não, não quero morrer… Por favor… — Ela implora.

— Não se preocupe. — Suzuki a tranquiliza, e então derrama magia em sua coleira.

No momento seguinte, as reservas de mana da garota começam a disparar. Cinquenta, cem, cento e cinquenta…

— O-obrigada…

Elas param em 251. A garota suspira aliviada.

— Suzuki… o que você acabou de fazer?

A pergunta vem de Christina, que agora terminou de lutar.

A maioria dos espíritos foi despachada, e Claire está no meio de eliminar o último.

Depois de verificar que a luta realmente acabou, Suzuki se explica. 

— Lá na sala de aula, dei uma olhada nas coleiras de alguns estudantes mortos. Quando tentei derramar magia em uma delas, descobri que a coleira a armazenava, e isso me fez pensar.

Todos os presentes estão o ouvindo.

— Essas coleiras permitem transferir mana. Quando você faz isso, ela é salva em uma reserva na coleira da outra pessoa antes de ser gasta lentamente. Em outras palavras, se transferirmos mana para estudantes com pouca mana, podemos adiar suas explosões.

— Estou impressionada que você tenha conseguido descobrir tudo isso — diz Alexia, com sinceridade.

— Isso significa que menos pessoas terão que morrer — observa Claire.

— E de todos nós, a estudante com mais magia… é a Senhora Eliza.

Suzuki sorri. 

— Confio que ficará feliz em ajudar, certo?

Eliza retribui seu sorriso com um doce. 

— Quando chegarmos ao auditório, levarei isso em consideração.

— Ah, que bom ouvir isso. A propósito… quando eu estava verificando os corpos na sala de aula, algo me chamou a atenção.

— E o que seria?

— Havia sinais de que todos eles tiveram as mãos e os pés amarrados.

Por um momento, o olho de Eliza se contrai. 

— Tem certeza de que não estava apenas imaginando coisas?

— Bem, havia outra coisa que parecia estranha. Todas as coleiras deles haviam detonado.

— E daí? Eles ficaram sem mana, então é claro que suas coleiras explodiram.

— Verdade, verdade. Mas se você tentar imaginar, cria uma cena bem estranha. Enquanto estavam amarrados, suas coleiras explodiram e os mataram. Faz a gente se perguntar o que exatamente aconteceu.

— …Se você tem algo a dizer, sugiro que diga agora.

— Vamos dizer que há uma pessoa que teve a mesma ideia que eu, mas ela a aplicou a alguém que ainda estava vivo. Talvez ela tenha transferido mana, forçando outras pessoas a usarem magia. Talvez tenha feito um teste para ver o que aciona as coleiras, ou verificado se poderiam ser removidas. Mas a prova decisiva foi ela.

Suzuki aponta para a garota.

— Quando lhe dei minha mana, ela me agradeceu. Mas isso é estranho, certo? A maioria das pessoas ficaria apenas surpresa. Afinal, o fato de se poder transferir mana entre as coleiras seria novidade para elas. Mas vocês já sabiam disso, não é?

A garota fica pálida e começa a tremer. 

— E-eu…

— Você sabia.

— …Sinto muito. A Senhora Eliza é uma aristocrata poderosa, então não pude desafiá-la… Se alguém a contrariasse, ela os amarrava e mexia em suas coleiras. Ela tentava removê-las ou forçava as pessoas a usarem sua magia até o cronômetro chegar a zero… Foi quando descobrimos que podiam transferir mana.

— Achei estranho como a Senhora Eliza tinha tanta mana sobrando quando todos os outros estavam no limite. Ninguém mais tinha mais de trezentos. É quase como se fosse de propósito.

— Todos nós tivemos que dar nossa mana à Senhora Eliza. Mas eu tinha tão pouca que nem isso pude fazer, por isso estava no corredor… — A garota começa a soluçar.

Alexia encara Eliza. 

— Se tudo isso for verdade, então esta é uma situação séria.

Eliza suspira. 

— E? O que exatamente você planeja fazer a respeito?

— Então você nem vai negar as acusações.

— Acusações? Eu estava tentando ajudar as pessoas na minha capacidade de vice-presidente. Naquela época, eu não fazia ideia de que as coleiras explodiriam se você ficasse sem mana ou tentasse tirá-las.

— Você não tem vergonha, não é? Como explica o fato de ter roubado a mana deles, então?

— Eu não roubei; estava cuidando dela para eles. Garanto, eu tinha toda a intenção de dividi-la de volta igualmente.

— Você realmente acha que essa desculpa vai colar?

— Contra a maioria das pessoas, certamente… embora eu admita estar em desvantagem contra você, Princesa Alexia. Em vez disso, que tal isto? Vamos fazer um acordo.

— Que tipo de acordo?

— Ainda tenho mil e novecentos de mana. Se você concordar em fechar os olhos, ficarei feliz em entregá-la.

Alexia estala a língua suavemente.

Aquela última luta causou um grande estrago nas reservas de mana dos estudantes. Obter a mana de Eliza poderia ser o suficiente para salvá-los.

No entanto, aceitar a oferta de Eliza significaria ter que ignorar seus crimes. Até mesmo Alexia se meteria em problemas se tentasse voltar atrás em um acordo com uma aristocrata importante.

— …E você realmente a entregaria?

— Claro. Se você concordar com minhas condições, entregarei todo tipo de mana. — Eliza sorri com confiança. Ela sabe que Alexia não está em posição de recusar.

Alexia olha para os outros estudantes. Seus rostos estão cheios de exaustão e medo. Eles sentem suas vidas se esvaindo a cada momento que passa.

Se ela quiser salvá-los, não tem escolha a não ser fazer um acordo.

— Tudo bem. Você tem um…

As palavras estão na metade do caminho para fora da boca de Alexia, quando de repente…

— Você realmente não entende a situação em que está, não é?

…Suzuki se manifesta, cortando Alexia. Ele está parado atrás de Eliza.

— Mas o quê…? Quando você chegou aí?!

— Não se mexa.

Eliza e seu guarda-costas tentam se virar apressadamente, mas com um rosnado baixo, Suzuki põe um fim rápido a isso. Ele está segurando a mão no pescoço de Eliza – ou melhor, na sua coleira.

— Você sabe o que acontecerá se eu arrancar esta coleira? Suspeito que sim, Senhora Eliza.

A expressão no rosto de Eliza é absolutamente assustadora. 

— O que você está tramando? Sabe exatamente o que vai acontecer com você por encostar um dedo em mim!

— Pare com isso, Suzuki. — Christina insiste. — A família Hope não deseja criar inimizade com ela.

Suzuki suspira alto o suficiente para que todos ouçam. 

— Bem, que droga. Acho que nenhum de vocês entende a situação em que estamos.

— E o que exatamente você quer dizer com isso?

— Nenhuma das coisas que geralmente te protegem está aqui agora, Senhora Eliza. Sua influência como uma aristocrata poderosa, a autoridade de sua facção e toda essa riqueza que você acumulou não podem te alcançar aqui na névoa branca.

— Eu sou Eliza. Uma das aristocratas mais importantes do Reino de Midgar…

— E daí? Aqui e agora, isso vai te proteger? Se eu te matar aqui na névoa, que tipo de testemunho você acha que essas pessoas darão? Realmente acha que as pessoas de quem você roubou mana vão se apresentar em seu favor?

Eliza fuzila os outros estudantes com o olhar. Nenhum deles a encara.

Suzuki se inclina e sussurra em seu ouvido. 

— Está começando a entender? Está começando a ver a posição em que se encontra?

Ele aperta o aperto em sua coleira.

— …O-olha, sinto muito. — Eliza guincha.

— Não estou interessado em suas desculpas. O que eu quero é que você distribua essa mana para os outros.

— Claro, claro.

Se olhares pudessem matar, o ódio queimando nos olhos de Eliza já o teria feito.

— Olhe, Princesa Alexia, esta é uma emergência — diz Suzuki. — Você pode lidar com a Senhora Eliza em um tribunal quando tudo isso acabar. E comigo também, se for preciso.

— Você tem certeza disso? — Alexia responde. — Assim que souberem que ameaçou uma aristocrata importante, as coisas podem ficar feias para você.

— Estou preparado para isso.

— Entendo… — Alexia se vira para Christina. — E o que a família Hope tem a dizer?

— Por mim tudo bem, contanto que você concorde em testemunhar a nosso favor, Princesa Alexia. — O tom de Christina é neutro. — Temos a razão moral aqui, então não imagino que as coisas terminem tão mal para nós.

Suzuki lhe faz uma pequena reverência. 

— Agradeço.

Christina desvia o olhar. 

— Não é nada. Não sou de pedra, sabe.

Com isso resolvido, eles começam a transferir a mana. Eliza acaba com 400, e os outros 1.500 vão para os estudantes com pouca mana.

— Espero não ter que soletrar, mas você está proibida de roubar a mana deles de volta — Alexia diz a Eliza.

— Vamos logo para o auditório — responde Eliza. — Não queremos ser atacados por nenhum espírito, não é?

Após as transferências terminarem, o grupo se divide em dois. Eliza e os estudantes vão para o auditório, e o grupo original volta a rastrear a magia.

Ao se separarem, Eliza lança um olhar fulminante para Suzuki. 

— Você vai pagar por isso, sabe.

No entanto, quando ele passa por ela, não lhe dá mais atenção do que daria a uma pedra na beira da estrada.

De costas para ela, ele solta um sussurro profundo:

— Nada disso aconteceu. É apenas uma ilusão, conjurada pela névoa branca…

Os seis seguem a mana para fora do prédio da escola. Os ataques dos espíritos diminuíram, e os poucos confrontos em que acabam se envolvendo são curtos e esporádicos.

Alexia se aproxima de Christina. 

— Quem exatamente é ele? — Ela pergunta em voz baixa.

Christina volta seu olhar para Suzuki, que está no final da procissão. 

— Ele é de um ramo distante da família Hope. Não deveria ter nenhum talento digno de nota, mas…

— Bem, ele é uma força a ser reconhecida. É preciso muita coragem para enfrentar uma aristocrata importante como aquela, e esse tipo de coragem não vem fácil.

— Eu também nunca tinha visto aqueles movimentos que ele fez na luta antes. Ele deve ter escondido sua verdadeira força.

— Mas por que ele faria isso?

— Não sei. Mas depois disso, vou transferi-lo para a casa principal.

— Provavelmente é uma boa ideia…

Deixá-lo por conta própria seria um desperdício. Além disso, seria perigoso.

— Eu teria cuidado com ele, se fosse você. Ele sabe demais. É quase como se fosse uma pessoa totalmente diferente — diz Isaac, que acabou de se aproximar deles.

— Como assim? — Alexia pergunta.

— A história das coleiras. Ele disse que fez alguns testes, mas mal passamos tempo naquela sala de aula. Não tem como ele ter feito todos os testes que diz que fez. Foi ele quem notou a mana fluindo delas também. Talvez, apenas talvez, ele soubesse de tudo desde o início. Se você olhar por esse lado, tudo começa a fazer sentido. — Isaac estreita os olhos.

— A razão pela qual ele esteve tão calmo o tempo todo, e a razão pela qual sua personalidade mudou quando a névoa branca apareceu… é porque ele é um infiltrado.

— Você tem alguma prova?

— Nada definitivo ainda. Mas vou conseguir, espere para ver. Mantenha-se vigilante, Princesa Alexia. — Com isso, ele se afasta.

De fato, há uma lógica na teoria de Isaac. Se Suzuki está trabalhando com o Culto, então a transformação súbita que ele sofreu desde o aparecimento da névoa faz todo o sentido.

Assumindo que isso seja verdade, eles estão caindo direitinho na armadilha dele.

— …Que homem superficial — Christina murmura. Ela está olhando para Isaac enquanto ele caminha à frente deles.

— Superficial? — repete Alexia.

Christina balança a cabeça. 

— Não é nada.

— Parece que a mana está indo para cá — diz Claire ao parar em frente a uma pequena igreja antiga em um canto distante da academia.

— Eu não sabia que havia uma igreja por aqui — comenta Alexia.

A resposta vem de Nina. 

— Não há.

— Como assim?

— Exatamente o que eu disse. Não há uma igreja aqui. Ou pelo menos, não havia, até a névoa branca aparecer. — Nina responde enquanto abre a porta e entra.

O interior da igreja é tão silencioso e parado que parece que a humanidade a esqueceu. As cadeiras estão cobertas de poeira.

Alexia se põe em guarda enquanto o grupo se dirige a algo que parece um pedestal no fundo.

— Debaixo daqui — diz Claire.

Há uma brisa fraca vindo de baixo dele.

Hmph!

Sem um momento de hesitação, ela dispara um chute rápido no pedestal.

No entanto, tudo o que consegue é causar um som surdo a ecoar.

— Aiii! Mas que diabos?!

— Tem uma barreira mágica… — explica Nina enquanto o cutuca. — Parece que é um artefato. Você precisa de uma chave para movê-lo.

— Uma chave? Que chave? Onde está?

— Não faço ideia. Espero que esteja em algum lugar perto, mas quem sabe?

— Vamos procurar.

O grupo passa o próximo tempo procurando pela área. No entanto, não há uma única pista a ser encontrada.

— Nada — diz Alexia. — Não encontrei nada aqui.

— Eu também não — responde Isaac, visivelmente irritado. — Tem certeza de que estamos no caminho certo?

— Não temos tempo. Precisamos nos apressar…

As reservas de mana de Alexia caíram de 500 para 450.

— Parece que seria difícil decifrar o artefato — diz Nina. — Não sou boa nesse tipo de coisa.

Christina e Suzuki também não encontram nada. 

— Não há nada por aqui.

Um silêncio pesado desce sobre o grupo. Tudo o que podem fazer é encarar impotentes o pedestal. Estão em um impasse.

Então, ouve-se um pequeno baque. Quando olham, descobrem que Claire acabou de golpear o pedestal com a mão.

— Não adianta, Claire — diz Alexia, tentando impedi-la.

No entanto, Claire o golpeia novamente. Desta vez, o som é ainda mais surdo que o anterior.

— Por favor… me empreste poder. Tenho algo que preciso fazer. Não posso deixar as coisas terminarem, não aqui…

Então ela desenrola as ataduras em sua mão direita. Isaac e Christina ofegam quando veem o círculo sinistro gravado em sua pele. 

— O que é isso…?

Claire encara sua mão enquanto fala. 

— Por favor, Aurora, preciso da sua força. Sei que você tem se mantido em silêncio todo esse tempo, mas tenho certeza de que há algo que você pode fazer para ajudar aqui.

— O que ela está fazendo? — Isaac pergunta.

— Parece que está falando com alguém — responde Christina.

Alexia as silencia. 

— Shhh, fiquem quietos.

— Por favor… Por favor, Aurora. Responda-me… Atenda à minha voz!!

Então, o círculo mágico de Claire começa a brilhar. Sob sua luz vermelha, uma escrita antiga se grava no pedestal.

— O-o que é isso?! — Isaac grita em choque. — Que poder é este?!

— Abra, abra, abraaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

A magia vermelha envolve o pedestal e então explode para fora.

Quando ela se dissipa, o pedestal desaparece sem deixar vestígios. Onde antes ele estava, há uma escada que leva ao subsolo.

— Uau… — murmura Christina. A magia que Claire acabou de usar era tão poderosa que não se parecia com nada que ela já tivesse visto.

— Você me respondeu, Aurora. Argh… Minha mão está latejando… Então este é o preço que o poder exige… — Claire aperta a mão, com dor. Sua respiração está ofegante.

Alexia lhe dá um ombro para se apoiar. 

— Você está bem?

— Estou bem. Vamos, precisamos ir. Não temos tempo. — Claire se esforça para recuperar o fôlego e parecer forte. — Vamos fazer isso – vamos salvar a todos.

Com ela na liderança, o grupo desce a escada.

É uma escadaria longa, muito longa.

Graças à escuridão e à névoa, mal conseguem ver algo à frente ou atrás. Eles não dizem nada enquanto descem. O único som é o de seus passos.

Quando finalmente chegam ao final da escadaria, as reservas de mana de Alexia caíram de 500 para 450.

— Que porta grande.

De fato, há uma porta maciça lá embaixo na escuridão subterrânea. É pesada, então eles a empurram em grupo e atravessam.

Além dela, há uma sala ampla, ladeada por celas quebradas. As celas estão vazias.

— Isto é… uma masmorra?

O grupo avança com cautela. Então, depois de prosseguirem um pouco, ouvem algo pesado se movendo atrás deles.

— O que foi isso…? — Claire se pergunta em voz alta.

Ali na escuridão, eles não conseguem ver o que acabou de acontecer.

Alexia se vira, sentindo como se tivesse esquecido algo terrivelmente importante.

“Debaixo de uma igreja… Uma longa escadaria levando a uma sala escondida… Uma porta, fechando-se atrás dele…”

Ela se lembra da história do bibliotecário. Ela tem uma semelhança preocupante com a situação em que se encontram naquele exato momento.

— Argh! Voltem – é uma armadilha!!

Alexia corre de volta pelo caminho que vieram. No entanto, a porta se fecha com um baque pesado e ressonante e, ao fazê-lo, um gás começa a jorrar de pequenos buracos no teto. Um cheiro enjoativamente doce começa a permear a área.

— Prendam a respiração!

No entanto, é tarde demais. Um dos seis desmaia, depois outro. Eventualmente, apenas Alexia resta.

— Não podemos terminar… assim…

Enquanto tudo fica nebuloso, ela vê um jovem usando uma máscara de gás.

— Meu Deus — diz ele. — Nunca imaginei que você conseguiria chegar até aqui, Princesa Alexia.

— Não pode ser. Você era…

— Isso mesmo. Eu era o infiltrado.

Debaixo de sua máscara de gás, Isaac solta uma risada baixa. Alexia tenta alcançar sua espada, mas perde a consciência antes de conseguir pegá-la.

 


 

Tradução: Gabriella

Revisão: Pride

 

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